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sexta-feira, 31 de julho de 2009

Mandioca




Uma mandioca gigante pesando quase 25 kg foi colhida por Brás Paulino de Freitas, 46 anos, morador do município de Cassilândia (MS). A raiz estava plantada há mais de três anos no fundo de um terreno localizado na região central da cidade, do qual Brás é zelador. Com 2,4 m de altura e 60 cm de largura, a mandioca teve que ser retirada da terra com a ajuda de uma picareta e demorou quase duas horas para ser totalmente removida. Depois, a raiz fez a alegria de muitas pessoas. ""(VC repórter-Terra -24-07-2009)
Para quem não conhece e para quem conhece e quer conhecer mais:
Sem deixar de ser presença obrigatória no cardápio dos brasileiros, a mandioca sai da cozinha para compor mais de 600 produtos das indústrias química, metalúrgica, plástica, farmacêutica e de cosméticos
Um veneno que virou alimento e ganhou o mundo como importante fonte de calorias, sais minerais, proteínas e, sobretudo, vitamina A, que previne a cegueira. Sem contar os antioxidantes que previnem o câncer. Poderia caber assim, num pequeno parágrafo, a descrição da boa e velha - pré-histórica, até - mandioca (Manihot esculenta). Mas a raiz nativa, e nutritiva, já não se mantém apenas na cozinha. Sem deixar de ser o 'pão dos pobres' por esse Brasil adentro, e, sem alarde, a mandioca está nesta e em todas as demais páginas da revista em suas mãos. Está também nos móveis de madeira compensada da sua casa; nas suas roupas e toalhas; no seu rosto e no cabelo; no remédio que você toma. Poderia estar no tanque do seu carro. Tem um pouco dela no passado, na fundação de uma das maiores metrópoles do mundo - São Paulo - e outro tanto no futuro, em novas tecnologias industriais.

Quando a dona de casa procura, na feira ou no supermercado, aquela mandioca mais vistosa, que cozinha mais rápido e tem mais sabor, ela nem imagina estar escolhendo entre as 4.132 mil variedades catalogadas, só no Brasil. Graças a essa diversidade, a mandioca é cultivada em todos os Estados brasileiros - onde tem vários nomes populares como macaxeira e aipim - e em muitos países tropicais da África e da Ásia.

Algumas variedades apresentam maiores quantidades de vitamina A, cuja carência pode levar à cegueira, um problema sério entre crianças nordestinas e da Amazônia. Um estudo do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) realizado com crianças de 3 a 7 anos nas capitais Boa Vista, Manaus e Porto Velho, deu números a uma realidade conhecida: a mandioca é, depois do leite, a principal fonte de vitamina A, com 77,4% de freqüência de consumo.

E da planta não se aproveita só a raiz. A folha, com alta concentração de proteínas, entra na composição da multimistura, a farinha usada pela Pastoral da Criança para combater a desnutrição.

Em outras variedades foram encontrados, na folha, a luteína, antioxidante que protege contra o câncer, e, na raiz, o licopeno, mais um antioxidante auxiliar na prevenção ao câncer, principalmente o de próstata.O Brasil é o segundo maior produtor mundial de mandioca com 13,1% do total. Vem abaixo da Nigéria, na África, com 38 milhões de toneladas ou 18,8% do total mundial.

Em 2005, produzimos 27 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Calcula-se que, do plantio à produção de farinha e fécula (ou amido), o produto responde pela geração de 1 milhão de empregos diretos e uma receita anual de 2,5 bilhões de dólares.

Embora as pesquisas agrícolas mereçam boa parte do crédito por tal sucesso, o homem branco deve muito aos índios que, entre 7 a 10 mil anos atrás, domesticaram a mandioca, desenvolveram a técnica da fabricação da farinha e, com isso, conseguiram eliminar o veneno e a água presentes na raiz crua, convertendo-a em alimento e emprestando longa durabilidade a um produto antes perecível.

Para a engenheira agrônoma Teresa Losada Valle, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), no interior de São Paulo, "esse é possivelmente o caso mais espetacular na história da humanidade, de uma cultura (indígena) que domina totalmente a técnica de criar, produzir e destoxificar um produto altamente venenoso".

A origem da mandioca é a faixa tropical da América do Sul. Há evidências de que Rondônia foi um dos primeiros lugares de uso da planta domesticada. A mandioca sustentou diversas etnias indígenas na Amazônia, assim como o milho foi fundamental para os maias e astecas, no México, e a batata para os incas, nos Andes, compara a pesquisadora. Viajantes espanhóis e portugueses que aportaram na América no Século 16 levaram daqui a mandioca, e seu cultivo se difundiu rapidamente em outros países tropicais.

No Brasil, toda gente se valeu, e ainda se vale, da farinha de mandioca como garantia alimentar, em casa ou em incursões por caminhos incertos: viajantes, bandeirantes, jangadeiros, pantaneiros, caiçaras, sertanejos, e até os açorianos de Santa Catarina que melhoraram as casas de farinha com a tecnologia originada do trigo. "Para fazer-se brasileiro era necessário apreciar a farinha de mandioca. Por isso ela tornou-se a cultura da cultura brasileira", afirma Teresa.

Também os jesuítas, baseados em São Vicente, no litoral paulista, dependiam da 'farinha de pau' produzida "acima da grande serra" (a do Mar). Em carta a Roma, em setembro de 1554, José de Anchieta sugere que a dificuldade de subir a serra para buscar o alimento influenciou a mudança para o planalto: "como era muito trabalhoso e difícil por causa da aspereza do caminho, ao nosso Padre (Nóbrega) pareceu melhor no Senhor mudarmo-nos para esta povoação de índios que se chama Piratininga". E acrescenta que os enviados chegaram à aldeia e celebraram a primeira missa em 25 de janeiro, dia da conversão de São Paulo. Estava fundada a cidade que leva o nome do apóstolo.

Para José de Anchieta, a mandioca era o 'pão da terra'. Hoje, com a descoberta das potencialidades do amido, o 'pão' chega à indústria, multiplicando-se como ingrediente para mais de 600 produtos, para exportação inclusive. É o caso do papel para impressão, ao qual o amido é adicionado para aumentar a resistência e melhorar o acabamento. "O amido apresenta as vantagens de menor custo, de ser versátil, de ser um bom espessante e possibilitar a retenção de água", explica Edison Campos, da Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP). "Os papéis de imprimir e escrever são os maiores consumidores de amido, na superfície, internamente e no revestimento", informa Geraldo Salles, da Pesquisa e Desenvolvimento da Klabin, onde se utilizam 1.500 toneladas/mês de amido.

Na indústria têxtil, o amido é usado na engomagem dos fios de fibras naturais, como algodão e linho, para que eles fiquem mais fortes e resistam ao atrito no processo de tecelagem, explica Sylvio Nápoli, gerente de tecnologia da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT). O amido volta a ser empregado na estamparia para dar espessura aos corantes e agir como suporte das cores.

A possibilidade de modificação físico-química do amido abre para a fécula um leque inesgotável de aplicações também nas indústrias química, de engenharia industrial, metalúrgica, plástica, farmacêutica e de cosméticos. Em funções diversas - como ligantes, complexantes, substratos nutritivos, dispersantes e anticristalizantes - o amido está na formulação de shampoos, talcos, pós faciais, perfumes. Se na hora da aplicação sua maquiagem desliza bem, lembre-se do amido de mandioca.

Na indústria farmacêutica, o amido é usado para manter bem unidas as partículas; dar consistência a comprimidos e cápsulas; dissolvê-los no organismo e carrear o princípio ativo. "Não tem fim o potencial de utilização do amido, desde que tenha qualidade e volume de produção para atender a demanda", diz o farmacologista Lauro Moretto, diretor da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma).

Para ele, o amido é "a gasolina humana, a glicose". E não só no sentido figurado: de 1932 a 1942 foram produzidos 5 milhões de litros de álcool carburante de mandioca em Divinópolis, Minas Gerais. A concorrência com o álcool de cana desacelerou os investimentos. Mas a pesquisa desse biocombustível agora foi retomada no Centro de Raízes e Amidos Tropicais da Universidade Estadual Paulista (Cerat/Unesp) em Botucatu, SP, com investimentos governamentais e privados. Conforme o diretor do Cerat, Claudio Cabello, o álcool carburante de mandioca é mais barato e competitivo. O problema é a produção em escala da matéria-prima: enquanto a cana é plantada para produção exclusiva de açúcar e álcool, a mandioca destina-se também à alimentação ou aos produtos do amido. Isso limita a viabilidade econômica do álcool de mandioca a regiões isoladas, com demanda limitada, ou inadequadas para o plantio de cana.

Do ponto de vista ambiental, a mandioca é uma cultura que só ajuda o solo: adapta-se em qualquer lugar; não exige produtos químicos; funciona bem na rotação de culturas, e, quando descartados, seus galhos e folhas protegem o solo e se transformam em adubo orgânico. Até o que é problema vira solução. A Embrapa encontrou uma forma de usar a manipueira - líquido tóxico resultante da prensagem nas casas de farinha - como suplemento alimentar de bovinos, na confecção de tijolos e tintas, ou como insumo agrícola.Para Teresa Valle, do IAC, o futuro da mandioca está na volta ao passado, com a mistura da fécula na farinha de trigo. A adição de 10% melhora a aparência do pão francês e não altera o sabor e a consistência. Uma lei que tramita na Câmara dos Deputados prevê sua adição ao trigo importado, num prazo de cinco anos. "É um absurdo um país agrícola depender de um produto com um índice de importação de 80%, como o trigo", diz a pesquisadora, pregando uma mudança de mentalidade e de ação. "A mandioca não pode ser vista como sinônimo de pobreza, deve ser um instrumento estratégico para o desenvolvimento".
A CASA DE MANI
Uma das explicações para a origem do nome mandioca é uma lenda dos índios tupinambás. Mani oca significa 'casa de Mani'. A filha de um chefe tupi engravidou virgem e deu à luz uma menina que, por ser branca, causou espanto e curiosidade. Mani morreu com um ano e, conforme costume da tribo, foi enterrada na própria oca, e regada diariamente. Do túmulo brotou uma planta desconhecida e os índios passaram a se alimentar de sua raiz.
O VENENO DEPENDE DA DOSE
Toda mandioca tem veneno. Não se assuste, nem deixe de apreciar as mil e uma maneiras de aproveitamento culinário dessa raiz. Tem explicação - e solução - para tudo. Todos os cultivares de mandioca têm algum teor de ácido cianídrico (HCN), a quantidade é que faz a diferença entre a mandioca mansa (ou doce, ou de mesa) e a brava (ou amarga). A mansa tem uma quantidade pequena, inócua, de ácido cianídrico e, portanto, pode ser consumida in natura, depois de cozida. A brava tem um teor bem mais alto. Em algumas variedades o veneno só sai pela volatilização, com a secagem ao sol ou em secadores industriais. Destas, só se faz farinha.Embora haja registro de mortes por causa da mandioca brava, o homem aprendeu a conviver com este 'doce veneno' desde que os nossos índios a domesticaram. Estudiosos garantem que nossos antepassados só cultivavam a variedade tóxica por uma razão estratégica: com a mandioca brava eles eliminavam a concorrência na roça, ou seja, capivara, cutia, paca, porco, etc. Até hoje o cultivo da mandioca brava é opção de algumas tribos e povos da floresta amazônica, que só consomem a farinha.
Valdemar Sibinelli

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Sonhos de uma noite de verão.


Meu marido estava com minha neta na sala , ela fazia desenhos de um livro infantil e ele assistia o noticiário da tv, quando ela virou-se para ele e disse:
-Vovô, não gosto mais destes livrinhos com muitas figuras e poucas palavras, eu queria um livro de adulto, sem figuras.
O avô, como sempre, prometeu que iria comprar-lhe um livro assim , só com escritos!
Eu fui viajar com meu filho e minha nora, então ele resolveu que compraria o livro sem ajuda, e foi pesquisar.
Entrou numa livraria e pediu a ajuda da vendedora e ela o encaminhou para a seção infantil.
Os livros eram todos cheios de figuras e muito coloridos, assim feitos para chamar a atenção das crianças para a leitura.
Saiu da seção infantil e foi pesquisar nos livros de romance, pensando lá encontrar algo apropriado para uma criança de sete anos.
Mas assim que começou a folhear as páginas foi arregalando os olhos e acabou se convencendo que nada daquilo serviria para uma garotinha.
Voltou para casa sem comprar nada.
No dia seguinte ele foi a uma papelaria para comprar um bloco e viu uma prateleiras de livros e começou a pesquisar.
Um livro lhe chamou a atenção-Sonhos de uma noite de verão de Shakespeare, numa versão moderna e juvenil, como se fosse um texto para teatro.
Como a estória é ambientada na Grécia mítica e conta-nos a história de seres élficos e personagens mitológicos descrevendo a magia e a realidade em uma só dimensão, meu marido imaginou que a neta gostaria, pois as histórias de contos infantis também usam fadas e duendes.
Quando eu chego da viagem vejo minha neta para cima e para baixo com o livro e decorando os nomes dos personagens que para ela são totalmente desconhecidos.
_Vovó, disse ela,Ti-Tâ-nia, se apaixonou por um monstro com cabeça de asno?
Foi sim filhinha, assim como a Bela se apaixonou pela fera, respondi-lhe.
_E Oberon tem uma poção mágica que faz os casais apaixonarem-se?
Tem sim querida, assim como a poção que a bruxa colocou na maçã para fazer Branca de Neve dormir,disse eu.
_Que engraçado vovó, livro de adulto é igual ao de crianças.

_É sim,Eduarda, livro de adulto é igual ao de crianças, só não têm as figuras, disse e me afastei rindo.

Quem sabe eu ainda faça uma história envolvendo a Branca de Neve , Titânia,Bela Adormecida, Oberon, Chapeuzinho Vermelho,Lizandro, Teseu,A Pequena Sereia etc...
Seria um estória da vovó maluca , assim, tipo o Samba do Crioulo Doido.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

A luta de uma mulher!



Dia destes assisti uma entrevista na tv à cabo que focalizava uma escritora irlandesa, Edna O'Brien(78 anos).
Ela veio ao Brasil para o Festa literária Internacional que foi realizado este mês em Paraty.
Edna contou então da sua saga quando começou a escrever, ela cresceu longe dos livros e de quase qualquer forma de literatura que não fossem os Evangelhos cristãos. Nasceu e passou a maior parte de sua infância e adolescência em um vilarejo no oeste da Irlanda, onde fazendeiros e suas famílias viviam sob o peso dos sermões do padre e o medo do inferno.
Seus livros foram, durante muito tempo, banidos na Irlanda e vistos, naquele país, como imorais, pela liberdade com que descrevem as vidas particulares das mulheres fortes que ela criou para serem suas personagens. Atualmente, sem o peso da censura da Igreja Católica, as histórias criadas pela irlandesa transformam-se em filmes e séries de televisão em sua terra natal, e recebidas por muitas mulheres como libertadoras [e não mais como libertinas].
Ela conta que as mulheres conseguiram infiltrar um romance na pequena vila onde ela morava quando criança, e emprestavam uma folha de cada vez, mas não em sequencia.
Ela ia anotando trechos em seu caderno de escola e escondida foi escrevendo suas idéias e contos.
Quando foi estudar farmácia em Dublin,ela teve acesso a outros livros e ai resolveu ir para a Inglaterra e publicar o seu primeiro livro..
The Country Girls" causou um certo tumulto na Irlanda e mesmo na Inglaterra. Algumas cópias foram queimadas no jardim da capela de vila natal de Edna , as mulheres ficaram indignadas, os homens puniam, e aqueles que estavam no poder, tanto a igreja como o Estado, condenaram o livro como "não recomendável para qualquer lar decente". Então foi banido, assim como seus seis romances seguintes. Ela não podia voltar para a sua terra, tal era a indignação das pessoas.
Um trecho da entrevista que me chamou muito a atenção foi quando ela contou que sua mãe disse a ela que se envergonhava dela e que a funcionária do correio local havia dito que ela devia ser açoitada nua na praça local.Edna ainda comenta :-Por que nua? e ela mesmo responde, que a hipocrisia era tanta que mesmo condenando ; o povo necessitava de cenas fortes e sensuais,mas que eram regidos por uma religião distorcida..Por causa de sua luta contra uma sociedade opressora e machista , Edna é comparada a feminista Betty Friedan, mas diz que seguiu apenas a sua vocação e que tudo que falam dela foi apenas um pretexto para que se calasse.
Acredito que essa entrevista ainda será bastante reprisada , é no Globo News, não percam!
Ela também sita que o escritor brasileiro que mais gosta é "Matchadou de Assis" como ela falou.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Pagando o Mico





Eu tinha lá meus trinta e cinco anos, quando apareceu essa onda de alugar filmes nas locadoras.Parecia uma febre! Todo mundo economizando para comprar um vídeo.
Também adquiri o meu, aquele monstrinho que mais parecia uma maleta prateada.O que ele comia de fitas não esta no gibi!
Era o Indiana Jones, Shirley Valentine,Em algum lugar no passado,De volta ao futuro, Máquina mortífera,etc...esses que passam na tv à tarde.
Alugávamos a fita de manhã e poderíamos devolvê-la até à tarde do dia seguinte, caso contrário pagaríamos outra diária, não havia promoções como hoje, de 48 horas.
Alugamos um filme , A Lagoa Azul, com Brooke Shields e Christopher Atkins, não sei se vocês se lembram ,é um filme sobre um casal de garotos, sobreviventes de um naufrágio, que crescem sozinhos numa paradisíaca ilha do Pacífico Sul, onde descobrem o amor e a sexualidade.Ela dá à luz a um garotinho e um dia são resgatados pelo pai do rapaz.Eram baldes de lágrimas.

Só sei que quando fui devolver a fita, pedi ao meu marido que me acompanhasse à locadora. Ele estacionou em frente da loja e eu desci para devolver a fita , ele como sempre, ficou me esperando sentado ao volante.Paguei e peguei o ticket e sai lendo para conferir, sem olhar para o carro, abro a porta , entro e sento, e ouço uma buzina no carro de trás: era meu marido avisando que eu tinha entrado no carro errado e que o homem sentado no banco do motorista não era ele.
Nessa hora você não sabe bem o que fazer, finjo que sou cega e e pergunto :
-Onde estou?
Falo :
-Nossa este carro é igual ao meu! sendo que o carro que está atrás buzinando não é da mesma cor nem do mesmo modelo e nem da mesma marca?
Desmaio?
O mais certo seria começar a babar e me fazer de retardada, mas digo um tímido :
-Desculpe! e saio de fininho.
Nessa hora eu gostaria de ser bem velhinha, pois teria a desculpa do Alz
heimer!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Eu era feliz e não sabia




Eu tinha pressa para entrar na idade adulta: queria ter conta pra pagar, queria ter casa pra cuidar, marido e filhos, queria andar de salto alto, usar maquiagem e responsabilidades!! Achava o máximo andar com pencas de coisas para fazer.
Lembro-me que aos 13 anos eu saía muitas vezes com o livro “O Muro”, de Sartre, com o objetivo de esconder minha idade, mostrar que cresci, que estava lendo um filósofo. Não comprei, peguei da estante lá de casa. O que uma criança que brincava de boneca - nas horas vagas -, poderia entender de Sartre?
Mas depois desta encenação, resolvi decorar meu quarto. Fiz cortina preta, colcha preta, almofadas pretas... Parecia coisa pra defunto: tinha aplicações de enormes flores feitas de feltro! Um terror. Até hoje ouço falar nesta história. Acho que estava protestando: devo ter sido a precursora dos hippies!
Minha adolescência foi um pouco confusa: meus cabelos eram como camaleão! Foram loiros, pretos e ruivos. Brincava de boneca, mas também jogava futebol; freqüentava a igreja católica, mas queria ser protestante; estudava em um colégio mas queria estudar em outro . Mas acho que não cheguei a dar muito trabalho, não. Apenas ‘confundia’ o meio de campo; fazia barulho.
Mas apesar da confusão, guardo ótimas lembranças desde a infância: ainda peguei os bondes, os telefones pretos padronizados; as geladeiras eram chamadas de ‘Frigidaire’ e qualquer líquido achocolatado chamávamos de Toddy. Sou da época do gumex, que deixava os cabelos como gravetos, depois de secos.
Foi na minha época que surgiram as calças de nycron - revolucionárias -, assim como os sapatos Vulcabrás - eu usei esse sapatão como uniforme do colégio. Alguém de vocês lembra de ter usado keds?Usei, também as perucas Velásquez com os fios de canecalon, lembram? E do sabonete Life Boy?
Lembram dos seriados enlatados da televisão? Bonanza, Combate, Missão Impossível, Bat Masterson, Magnum, Papai Sabe Tudo, Vigilante Rodoviário... Lembram disso? Lembram do James West? Coisas inocentes... E como marcou o tal de Repórter Esso, hein?
E por acaso tomaram Calcigenol, Fimatosan (pra tratar bronquite e abrir o apetite!), Cibalena, pílulas do Dr Ross? Lembram daquela presuntada enlatada da Swift que íamos enrolando o abridorzinho? Do Crush e da Grapette... E do pãozinho com Claybon! Hunnn... E cantávamos ‘nel blu / dipinto di blu...’. Vocês devem estar saudosos, também.
Obviamente lembram do Sinca, do Fusquinha, Aero-Willys, do DKW, Gordini, do Dodge Dart... E daquela banheira enorme chamada Impala. Já do Stodebacker e Hudson tenho uma pequena lembrança. Ah, e do Karmanguia!!
Não vou entrar num assunto - que seria longo -, mas quero lembrar o mais importante: sou da geração de Elvis Presley e dos Beatles. Do twist e do rock. E foi com eles que conheci o histerismo feminino. Que potencial! Que loucura foi aquilo. E mais: sou da geração dos hippies que revolucionaram totalmente os costumes, pregando o amor livre, a não violência e protestando contra a guerra no Vietnã. Eram totalmente adeptos do pacifismo. Moravam em comunidades onde todas as tarefas domésticas eram divididas. E por aí afora. Fase importantíssima. Com eles apareceram os exercícios de meditação, os incensos, as gírias e algumas drogas - infelizmente. Seus cabelos eram compridos e suas vestes despojadas. O lema era ‘Paz e Amor’.
Mas, acabei virando adulta, como eu queria. Casei, tive meus filhos, usei meu salto alto, tive minhas contas pra pagar e me descabelei com a educação da prole. E, com tudo isso, fiquei calminha. Ainda deu pra tirar umas fotinhos com a minha Kodak Instamatic – que muitos de vocês tiveram.
Mas, se eu soubesse que hoje estaríamos nessa belezura de país, não teria pressa em crescer: estaria melhor escalando árvores, andando descalça, dizendo 33 - ao ficar doente. Estaria melhor assistindo aqueles enlatados inocentes, continuaria usando uma belíssima Remignton, curtindo Elvis, vendo o agito dos hippies, e fazendo de meus cabelos um verdadeiro arco-íris. Eu era feliz e não sabia...
Se o país em que vivo tivesse saído da adolescência e virado adulto nada teria a lamentar. Mas hoje vivo num país sem alegria, sem ídolos e sem oportunidades. Vivo num mundo muito louco onde cada um veste sua fantasia e pula sozinho; e desta época jamais sentirei saudades!

domingo, 26 de julho de 2009

Domingo normal.



Tudo normalmente normal!Pleonasmo?
O que é normalidade?
É quando a gente acha que tudo está no lugar certo.
Onde as pessoas que conhecemos e amamos não estão com gripe suina,não estão pedindo concordata,não foram atropeladas, nem nada "grave" aconteceu.
Se os politicos continuam roubando e fazendo falcatruas; tudo está normal!
Se o ensino continua fraco e sem qualidade;tudo está normal!
Se a saúde pública continua com atendimento péssimo;tudo está normal!
Se o transporte coletivo é um verdadeiro caos;tudo está normal!
Se as as estradas estão em péssima condições de tráfego;tudo está normal!
Se falta trabalho e existem milhões de desempregados:tudo está normal!
Se falta moradias e as favelas assombram as cidades, tudo está normal
Se o povo paga uma fortuna em impostos e não tem retorno:tudo está normal!
Se eu , você, e todo mundo aceita tudo isto: tudo está normal
Se falta ética nas relações sociais e políticas. Falta vergonha na cara.
Tudo está normal!
O país parece tomado pela busca do ganho fácil,pela certeza de que o errado é que é o certo, pela crença de que o crime compensa. Esta certo ?cultura? do levar vantagem em tudo, permeia todos as classes e todos os setores da vida social, em especial a política, onde se materializa em muita corrupção e em todas os demais desvios de comportamento que caracterizam a atividade pública, incentivadas pela certeza da impunidade, que realimenta a continuidade de tais práticas...Tal comportamento é trágico porque causa prejuízos irremediáveis ao país , tanto no aspecto moral e ético, quanto no financeiro e no social. Afinal, quem é Lula senão um sujeito que tem pouca educação formal, trabalhou pouco, passou a maior parte de sua vida às custas de dinheiro público e comanda hoje um governo reconhecidamente corrupto? Ou seja, uma síntese do Brasil atual.Não seria , pois, de todo absurda a aceitação do argumento de que grande parcela do seu eleitorado, além de não se sentir diferente dele , se espelha em sua figura, passando a ver nos seus defeitos, virtudes que merecem ser admiradas, copiadas e recompensadas com o voto. Triste país;triste domingo normal!

sábado, 25 de julho de 2009

Dia cinzento!



Tem dia que até parece que a gente acorda meio equivocada com o mundo. O dia parece diferente. A vida parece outra. Sobressaem aquelas coisas que de preferência esconde-se lá no fundo do baú. Pensando bem, a chuva deve ser a grande culpada. Um dia cinza num lugar costumeiramente azul, enseja melancolias. Fica enfadonho. Qualquer tristeza se acentua. E não surpreende perceber que até a roupa está amarrotada. Nada parece bom. Mas em contrapartida, tudo se harmoniza com o cenário monocromático lá de fora, imposto pelo tempo.
Aliás, o tempo quase não passa num dia como esse. Arrasta-se lentamente, como que para não deixar nenhum daqueles sentimentos já amarelados pelo tempo, escaparem. Amarelados?! Talvez nem tanto assim.
E é então que se nota de repente que ainda há espaço naquele velho papel da alma. Conjecturas. Indagações. Dúvidas. Talvez em sua maioria, inúteis. Afinal, dizem que o que passou, passou. Mas e se ainda não tiver passado tudo?! Talvez ainda haja mais espaço naquele papel do que eu supunha... É meio subjetivo isso tudo. Eu sei.
Mas quem disse que certos sentimentos têm objetividade? E estes não têm. São irritantemente detalhistas, evidenciando cada traço, com suas respectivas espessuras, cores e tons. Em sua maioria, pastéis, infelizmente. E os tons pastéis são sempre os mais difíceis de perceber o início e o fim. São sutis. Gradativamente vão evoluindo. Imperceptivelmente chegam ao fim da matiz. E nesse caso, são perigosos e por vezes, indolores. E os danos podem ser irreversíveis. Não que isso me importe mais. Os medos fugiram há tempos...
De qualquer modo, devo dizer que é inquietante a tranquilidade lá de fora. Essa sucessão de barulhinhos na janela e as gotinhas de água se acumulando de forma descendente através da transparência do vidro. Acho que é porque me trazem à memória, lágrimas. E não tão transparentes como eu desejaria, o que me fazem invejar de uma certa forma, as tais gotinhas de água...
Pois é. Acho que voltei ao ponto de partida e talvez seja melhor culpar a chuva. E ainda bem que já chega ao fim esse periodo de tão acinzentados dias.Tomara que amanhã, a despeito das nuances predominantes do dia, a policromia se faça um pouquinho mais presente em mim do que hoje. Mesmo que seja mais um dia gris. Tomara...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Menino desvenda um segredo de matemática de 300 anos





Nossa, isso é fabuloso. Imagino que o moleque seja mesmo um cabeçudo, pois desvendar um mistério da Matemática que já dura 300 anos não é pra qualquer um. Eu que me pelo de medo de equações e fórmulas complexas sinto até arrepios só de imaginar o tanto de contas necessárias para conseguir solucionar os chamados “Números de Beunoulli”.
Segundo a Wikipedia, na Matemática, os números de Bernoulli são seqüências de números racionais com profundas conexões na teoria dos números.
Os tais números ganharam este nome em homenagem ao gênio matemático do século 17, Jacob Bernoulli.
Pois não é que um jovem iraquiano que vive na Suécia conseguiu? Mohamed Altoumaimi é o nome do adolescente, que chegou na Suécia há seis anos atrás, vindo do Iraque. O jovem, trabalhou durante quatro meses na formula e quando a apresentou a um professor, este mal podia acreditar no que estava vendo. Um jovem do segundo grau, usando apenas lápis e papel havia conseguido descobrir uma fórmula que especialistas e catedráticos de todo o mundo passaram anos tentando resolver, sem scesso.
EDITADO: (novas notícias informam que a solução do garoto já havia sido descoberta, mas ainda assim surpreendeu os especialistas que um jovem ainda na escola conseguisse chegar ao resultado)
O jovem diz que pretende estudar Matemática avançada e Física, mas só quando terminar a escola.
“Primeiro eu preciso melhorar o meu inglês e estudar mais ciências humanas” – Diz Mohamed.
fonte






Se este menino estudasse numa escola do Brasil, é possível que estivesse ambicionando ser jogardor de futebol. Não digo isso porque eu deteste o Brasil. pelo contrário. É triste ver um país tão rico com desempenho tão sofrível em certos setores fundamentais para o futuro, como a educação.O Brasil está em 52º lugar em uma lista de 57 países avaliados pelo Programa para Avaliação Internacional do Estudante, na sigla em inglês (Pisa). Fonte O levantamento é realizado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e avaliou, em 2006, a capacidade de estudantes de 15 anos de idade, em 57 países, que totalizam quase 90% do PIB mundial.O Brasil é o 3º pior em matemática em ranking do Pisa e aparece atrás ainda do Chile, que está na 40º posição, e do Uruguai, que aparece como 42º colocado.
Isso é algo bastante perturbador, pois seria péssimo, mas resignador pra nós, se fôssemos apenas um bando de mentecaptos retardados. Mas não, o Brasil conquistou cinco medalhas na Olimpíada Matemática de 2007, o que prova que temos jovens excepcionais aqui. O solo é fértil, mas por mais fértil que seja, sem água ou tratamento adequado, o que resulta é uma esterilidade intelectual que se manifesta numa decadência social e grave violência urbana.Não podemos atribuir todos os problemas edcacionais a uma questão de investimento governamental. Mas os números deixam claro a importância que o ensino tem para cada país. Vejamos:
Os 30 países da OCDE gastam, em média, US$ 7.527 (R$ 14.376 ), e no país que mais gasta em educação, Luxemburgo, este valor chega a US$ 13.458 (R$ 25.705 ). No Chile, nosso vizinho, o único outro país sul-americano incluído no estudo, o gasto total é de US$ 2.864 (R$ 5.470).E no Brasil? Você certamente deve estar se perguntando.O Brasil é o que apresenta o menor investimento por estudante (desde o primário até a universidade), gastando em média US$ 1.303 por ano (cerca de R$ 2.488).
O Brasil não possui problemas apenas de financiamento. Nosso país nunca buscou melhoria dos padrões educacionais. Nas últimas décadas, o enfoque da gestão da educação pública sempre foi aumentar matrículas, do maternal ao doutorado. Pouquíssimas iniciativas foram tomadas no sentido de incentivar a melhoria do desempenho acadêmico dos alunos e estas iniciativas sempre foram tomadas por secretários ou ministros isolados. O problema educacional brasileiro é sistêmico. As nossas licenciaturas são puro reflexo disso: Cursos péssimos formando professores sem mínima qualificação. Com o enfoque nas matriculas ao invés do desempenho, temos um ciclo vicioso entre gerações – Cursos ruins formam professores ruins que formarão alunos cada vez piores.
Não considero um erro a decisão de buscar aumento das vagas no âmbito do ensino. Mas é temerário que se busque quantidade em detrimento à qualidade na questão educacional no nosso país.Enquanto isso, os políticos se locupletam com o dinheiro que deveria ser destinado a educar os jovens. As massas são cada vez mais dominadas e manipuladaspor interesses escusos, para os quais não interessa o aumento das reflexões mais profundas. O tempo vai passando, a mediocridade intelectual só aumenta. Surgem promessas e esperanças de que a informatização do país produza mais conhecimento, mais acessos. Porém, os dados práticos são que o Brasileiro passa grande parte do tempo batendo papo no MSN e futicando o orkut.A inclusão digital é vendida para o povo como uma alternativa messiânica que vai tornar o aluno brasileiro um aluno mais intelectualizado da noite para o dia. A vergonha disso é que sabemos que na prática, o que acontece é que a mediocridade vai parar na rede.Antigamente, para fazer um trabalho de escola, os alunos tinham que pegar livros, ler e transcrever. Hoje, basta o google, recortar e colar. pode perguntar para qualquer professor sobre suas experiências escolares e vocês verão centenas, talvez milhares de casos em que alunos entregam trabalhos referenciando figuras que não existem, linkando outros textos e coisas do tipo, que retratam claramente que os alunos nem sequer leram o que entregaram. Pra se ter uma idéia, a primeira dama do Mundo Gump é professora e já presenciou casos em que os alunos plagiaram textos DELA MESMA em trabalhos acadêmicos.Eu entendo a educação brasileira como um produto de três grandes esferas.Familiar, Educacional e governamental.E nenhuma das três esferas está bem.




(texto retirado do blog o Mundo Gump)

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Os blogueiros são fingidos?



Os blogs ainda causam controvérsias. Alguns torcem o nariz mesmo quando pensam sobre isso. É bem verdade que a coisa já melhorou muito até aqui. As pessoas são preconceituosas e no mundo dos blogs não haveria de ser diferente. Muita gente acha que somos "lixo" virtual. entre outras coisas "encantadoras", o que não é novidade, claro. Mas aqui existe de tudo. Uns melhores, outros não muito felizes em sua articulação. Existem também aqueles com os quais a gente se identifica. Não dá para generalizar e pronto... Mas, falam agora numa tal de autoficção. Coisa de literatos e afins, onde, devo dizer, não tenho a pretensão de me encaixar. Reconheço minhas limitações. Escrevo só porque gosto. E isso dista muito da perfeição literária.
Às vezes, escrevo coisas com pouco nexo. Às vezes, exibo apenas tirinhas que me fizeram rir ou que me chamaram atenção de algum modo. Às vezes seleciono notícias bizarras (Adoro!) e às vezes, embora eu sempre tente encobrir de um jeito ou de outro, deixo escapar um bocadinho de alegria aqui, de tristeza ali, enfim, de sentimentos. Mas afinal, isso não deve ser algo tão condenável assim. Por trás de cada teclado dos nossos blogs sempre bate um coração, não é mesmo?? (É, foi meio piegas, eu sei...)
Aqui a gente faz o que quiser, escreve sobre o que achar melhor. Expõe a vida. Usa de anonimato. Escreve banalidades. Escreve sobre temas importantes. Faz um blog "acadêmico" até. Foge. E até finge.
Pois é, e é mais ou menos essa parte aí do "fingimento" que vem sendo questionada. Quantos de nós escrevem de forma completamente sincera sobre nós mesmos?? Quantas vezes criamos um cenário mais colorido ou mais monótono para a nossa vida?? É a isso, a esse "suposto" fingimento que andam chamando de autoficção.
Eu, particularmente não tenho nada contra. Cada um pode usar de autoficção o quanto quiser. Eu só acho que as pessoas que tanto criticam o mundo dos blogs não entendem as variadas vertentes dos blogs. Não entendem que aqui cada um faz o que achar melhor, como achar melhor e quando achar melhor. É como na vida. Cada um faz suas escolhas. Cada um tem as suas preferências. Se não agradar, é simples: não leia o conteúdo "imposto" pelos blogueiros autoficcionados.
E se servir de consolo a algum eventual tristonho por se descobrir subitamente um "usuário" da autoficção, saiba também que ao que parece, Fernando Pessoa e Caio Fernando Abreu utilizavam muito esse tal artifício, como aliás muitos outros escritores. E se eu uso de autoficção ou não, quem vai saber hein??

Luis Antônio Giron


Luís Antônio Giron é editor da seção Mente Aberta de ÉPOCA, escreve sobre os principais fatos do universo da literatura, do cinema e da TV.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Transformações sociais


As palavras pejorativas do vocabulário atingem principalmente às mulheres, não no próprio sentido, mas da maneira como são usadas.Quando se fala(falava?)de um homem mulherengo é quase como um elogio, já a mulher que leva nomes que dão a indicação de leviandade , é sempre de maneira agressiva e com raiva.Não imagino quem tenha criado esses "adjetivos", mas já ouvi muitas mulheres referindo-se a outras dessa maneira, isso significa que estão a apoiar a conduta machista da sociedade.
Pra algumas pessoas pode parecer um assunto complicado e quando surge um assunto complicado na nossa frente, a tendência é dizer: ih, tá difícil, melhor nem pensar nisto, deixa isso pra lá... Acontece que as coisas que a gente evita pensar costumam teimar em reaparecer na nossa frente. Então a melhor estratégia é tentar descomplicar. Algumas pessoas podem pensar que esse assunto não tem importância ou então que não adianta pensar sobre isso porque o machismo já está tão enraizado...E aí é novamente um deixar pra lá, e a única coisa que se consegue assim é colaborar pra que nada mude. Então, vamos lá, vamos pensar um pouco sobre o machismo na família. No dicionário se encontram duas definições para machismo: uma, a mais simples, é que significa a qualidade de ser macho. Mas também há outro sentido que surge no nosso dia-a-dia, que é aquele que diz que machismo é o "comportamento de quem não aceita a igualdade de direitos para o homem e a mulher". E, é claro, o significado para feminismo é igual, é não aceitar a igualdade de direitos para a mulher e o homem.

Muita coisa mudou realmente, mas a gente sabe que as mudanças nos comportamentos não acontecem só porque se criam leis. É claro que é um início, e muito importante. Veja que mulheres hoje podem se amparar na lei pra serem protegidas em seus direitos, como qualquer cidadão. Mas as verdadeiras mudanças não se dão de fora para dentro. As verdadeiras mudanças se dão dentro de nós, e daí pra fora, pro mundo. E elas levam muito tempo pra acontecer, porque nós temos a tendência a repetir o que conhecemos, aquilo que vivemos, a maneira como fomos criados, e pra mudar é sempre difícil. Por isso é que ainda hoje em dia, se repete uma cultura que continua girando em torno do homem, do masculino, como nos séculos passados. Existem certas qualidades que em geral eram e ainda são consideradas próprias dos homens, e continuam a ser muito valorizadas: a atividade, a força, a potência para a criação. A gente bem sabe que não são apenas os homens que são ativos, que tem força física e moral, e que são capazes de criar. Mas, mesmo assim, ainda carregamos essas imagens dentro de nós, às vezes tão escondidinhas que nem percebemos
Muitas vezes, sem perceber, relacionamos o masculino com aquilo que é bom, protetor, seguro, forte...E aí, o feminino é o contrário, fica relacionado com o ruim, o perigoso, o imprevisível, frágil, dependente...
Apesar das grandes transformações sociais que conquistamos, temos que lutar muito ainda contra os preconceitos, de todas as espécies, preconceitos de cor, de credo, de raça. Preconceitos contra o homem, e principalmente contra a mulher, que é ainda a vítima maior deste tipo de violência. A gente já sabe que pra sobreviver e extrair o melhor desta vida é preciso não somente se cuidar, mas cuidar também deste mundo em que se vive. E é fundamental que a ação comece no seio de cada família, através de seus líderes. E, principalmente, das mulheres - mães, esposas - que precisam estar conscientes de seu valor pra poderem ajudar a desenvolver filhos sem o ranço do preconceito.
São séculos de história formatados e estou em crer que o ser humano é sobretudo o resultado cultural. Mas se sabemos que as coisas não estão bem, temos de ser capazes de aprendê-las noutro sentido.
E no mundo à nossa volta, existem as leis que regem nossa sociedade, e sabemos que perante essas leis somos todos iguais, temos todos nós, cidadãos, os mesmos direitos e deveres, independente de cor, religião, sexo...Mas sabemos que existem diferenças fundamentais entre homens e mulheres, começando pela própria constatação da realidade dos corpos. O importante é que diferenças são diferenças, e não escala de valores. Quando se diz que duas coisas são diferentes entre si, não estamos dizendo que uma é melhor do que a outra, mas que são diferentes. Homem e mulher são diferentes, ponto. E se a gente tiver isso claro na cabeça, vamos poder entender como se forma uma parceria. Um homem e uma mulher, duas pessoas, que se juntam e se articulam, são diferentes mas semelhantes na importância e no valor.
Estar de bem com seu próprio sexo, com suas características, ajuda meninos e meninas a formarem parcerias bem sucedidas, que colaboram para um mundo mais harmônico. E afinal, todos nós, homens e mulheres, somos os responsáveis por nossos semelhantes e pelo mundo em que vivemos.

segunda-feira, 13 de julho de 2009




Fora de nós, qual é o melhor lugar para se estar ?Onde é que você gostaria de estar agora, neste exato momento? Fico pensando nos lugares paradisíacos onde já estive, e que não me custaria nada reprisar: num determinado restaurante á beira do Douro, na areia de diversas praias do Brasil e do mundo, na casa de bons amigos, em algum vilarejo europeu, numa estrada bela e vazia, no meio de um show espetacular, numa sala de cinema vendo a estreia de um filme muito esperado, e principalmente, no meu quarto e na minha cama, que nenhum hotel cinco estrelas consegue superar a intimidade da gente é irreproduzível.

Posso também listar os lugares onde não gostaria de estar: num leito de hospital, numa fila de banco, numa reunião de condomínio, presa num elevador, em meio a um trânsito congestionado, numa cadeira de dentista.E então? Somando os prós e os contras, as boas e más opções, onde, afinal, é o melhor lugar do mundo?

Dentro de um abraço.

Que lugar melhor para uma criança, para um idoso, para uma mulher apaixonada, para um adolescente com medo, para um doente, para alguém solitário? Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor.

Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço, se dissolve.Que lugar melhor para um recém-nascido, para um recém-chegado, para um recém-demitido, para um recém-contratado? Dentro de um abraço nenhuma situação é incerta, o futuro não amedronta, estacionamos confortavelmente em meio ao paraíso.

O rosto contra o peito de quem te abraça, as batidas do coração dele e as suas, o silêncio que sempre se faz durante esse envolvimento físico: nada há para se reivindicar ou agradecer, dentro de um abraço voz nenhuma se faz necessária, está tudo dito.

Que lugar no mundo é melhor para se estar? Na frente de uma lareira com um livro estupendo, em meio a um estádio lotado vendo seu time golear, num almoço em família onde todos estão se divertindo, num final de tarde de frente para o mar, deitado num parque olhando para o céu, na cama com a pessoa que você mais ama?Difícil bater essa última alternativa, mas onde começa o amor, senão dentro do primeiro abraço? Alguns o consideram como algo sufocante, querem logo se desvencilhar dele. Até entendo que há momentos em que é preciso estar fora de alcance, livre de qualquer tentáculo. Esse desejo de se manter solto é legítimo, mas hoje me permita não endossar manifestações de alforria.

Pode entrar!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

A poesia e a inspiração



Poesia é artigo de todo dia e de cada instante. Está na rua, na janela do ônibus, no olhar parado, no silêncio do gesto. E a prosa é o jeito que se tem de colocar poesia no cotidiano, sem maiores pieguices. Apesar de poesia não ser sinônimo de sentimentalismo, pode surgir quem pense que tem algo a ver com fragilidade. Poesia é instrumento de fortes e bravos.
Poesia é ponto de vista que se expressa em palavras, é um modo de observar, de traduzir impressões, de unir o belo ao bom, de denunciar o oculto, de revelar o outro lado.
Aliás, recebi um poema do Affonso Romano de Sant`Anna que diz: “Debaixo de minha mesa /tem sempre um cão faminto/ -que me alimenta a tristeza./ Debaixo de minha cama/ tem sempre um fantasma vivo/ -que perturba quem me ama./ Debaixo de minha pele/ alguém me olha esquisito/ -pensando que eu sou ele./ Debaixo de minha escrita/ há sangue em lugar de tinta/ -e alguém calado que grita.”
Daí, quando leio um poema como esse, sinto uma vontade doida e doída de ter escrito algo parecido ou quase igual porque é dessa forma que percebo a vida, é desse modo que o cotidiano se escreve em mim.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

O avesso


O avesso da chegada não é a partida, é a separação.
O avesso da presença não é a ausência, é a saudade.
O avesso da solidão não é a companhia, é a partilha.
O avesso do longe não é o perto, é o junto.
O avesso da luz não é a sombra, é o opaco.
O avesso do nunca não é o sempre, é o contínuo.
O avesso do provisório não é o duradouro, é o permanente.
O avesso da distância não é a proximidade, é constância.
O avesso da lágrima não é o riso, é a estiagem.
O avesso de mim não é a face no espelho, é o rosto transparente.
O avesso de mim não é a lembrança do que não fui, é a certeza do que serei.
O avesso de mim são as memórias costuradas do lado de dentro da pele.
O avesso nada mais é do que o outro lado da moeda. O reverso da medalha.
Tudo aquilo que se vai coletando e colecionando. Os sentimentos, os momentos, as experiências, as paisagens, o dia-a-dia vivido na rotina e no sobressalto. Tudo compõe o negativo da foto que só revelamos a nós mesmos. O avesso da costura invisível que confeccionamos com linha e agulha, com suavidade e aspereza. Porque muitos dos avessos são feitos de risos e de lágrimas numa concomitância imprevisível e desconcertante.
Já ouvi falar que, muitas vezes, é impossível diferenciar o lado avesso do direito, de tão bem feitas foram as costuras e o acabamento. Isso, em se tratando de variados tecidos. No que diz respeito à pele, fico temerosa em fazer a mesma colocação.
Comumente, no avesso da pele ficam imperceptíveis os pespontos, mas há cicatrizes tantas, impossíveis de esconder.
Por fora ninguém percebe que no avesso há silêncios e solidão, pois só ousamos despir a pele para nós mesmos no indevassável espaço onde é proibida a entrada de estranhos ou conhecidos. E no fundo somos todos avessos solitários, ostentando, na superfície, sorrisos em máscaras de disfarces como se a vida fosse um baile à fantasia.
E isso se deve a capacidade que a maioria dos mortais possui. A tenacidade de enfrentar o revés, a adversidade, o outro lado de cada situação, transformando em traje de gala, os farrapos que estão no avesso.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Prioridades




Desconheço precisamente em que momento mudou a minha lista de prioridades e redirecionei o ponto de enfoque. Na atualidade, minhas primazias são distintas das que tinha aos 15, 25, 40 anos.

Constato que prioridade varia de acordo com a faixa etária. Os interesses que prendem a atenção ou, melhor dizendo, o que mobiliza na adolescência vai perdendo a nitidez e cede espaço a novos horizontes e a uma diferente escala de valores. As prioridades amadurecem conosco, contrariando a assertiva de que tempo é questão de prioridade.

Prioridade é questão de tempo.

Estou longe de afirmar que as prioridades da juventude sejam menos válidas do que as do mundo adulto. Até porque, o instante que se está vivendo é sempre muito pleno de significados. O desapontamento vivido aos 15 anos é tão desagregador quanto o desencanto aos 40. Aos 15, a prioridade é “abarcar o mundo com as pernas”. Aos 40, é “uma coisa de cada vez”. E mais adiante, as prioridades tomam forma de esculturas que o tempo cinzelou.

Atualmente, minhas prioridades são como linhas verticais que seguem uma hierarquia estipulada por meu bom senso. Algumas facultativas, outras obrigatórias. Categorias que sobrevivem em pacífica vizinhança, salvo algumas exceções. Momentos surgem em que uma séria incompatibilidade se manifesta. Existe o que é preciso fazer e o que é possível fazer.Afora tais contratempos, consigo executar as tarefas prioritárias por dever e por prazer. Imponho regras e estabeleço normas, dentro dos padrões da consciência e do discernimento adquiridos através do aprendizado de vivências e convivências.

Prioridade é ter prioridades.

Prioridade é não deixar para amanhã o que posso fazer hoje. É não retardar o passo porque a vida é célere e se nega a esperar. A vida é preferencial.Fazendo um retrospecto das minhas experiências, reconheço que houve épocas em que inverti minhas prioridades, para não escapar da regra de ser humana e, portanto, falível. Deixei de lado o mais importante e me prendi a detalhes. Troquei sorrisos por lágrimas, perfeitamente evitáveis. Bati com o nariz em portas que já sabia que não se abririam. Teimei em buscar tesouros sem usar mapas. Deixei o abraço para depois e omiti palavras necessárias. O número um da minha lista era, tolamente, eu mesma. O consolo é que tal fase durou pouco. E, até certo ponto, foi normal e previsível. O único mérito é ter servido como lição.

As prioridades da maturidade são encantadoras e fascinantes.

Coloco meu nome em primeiro lugar, porém com uma perspectiva bem diversa. Prioridade obrigatória é acordar e dar conta das pequenas obrigações rotineiras, é trabalhar para suprir o sustento, é caminhar para preservar a saúde, é sorrir para a vida, é cantarolar e manter o brilho no olhar.E, paralelamente, prioridade facultativa é amar. Amar na distância e amar na proximidade. Amar a cada minuto com toda a energia. Amar muito para ser capaz de amar e ser amada em plenitude.Talvez, o mais surpreendente estágio a alcançar na lista de prioridades, seja o de aceitar que os que amamos tenham prioridades inversas e diversas das que esperamos. Difícil e árduo degrau a atingir. Porque venhamos e convenhamos: a maioria dos problemas de relacionamento se situa justamente aí. Nas diferenças de prioridades de cada um. Quanto mal-entendido, tanta desavença surge dessas escalas diferentes de prioridades.

Aliás, prioridade é um diferencial que ata ou desata, que junta ou separa, que une ou desune. Simples seria se soubéssemos como aplicar um denominador comum para apaziguar arestas e concatenar os ideais, sem maiores desencontros e desacertos.

Ter prioridades é assunto muito sério e complicado, desde o momento em que o amor não seja o tópico principal. Talvez, seja o amor a regra básica para o tal denominador comum, desde que seja sentimento real, verdadeiro e “infinito enquanto dure”.Amemos, pois, enquanto possível e permissível! O resto vem por acréscimo

domingo, 5 de julho de 2009

O que faz você feliz?

A lua, a praia, o mar

Uma rua, passear

Um doce, uma dança, um beijo

Ou goiabada com queijo

Afinal, o que faz você feliz?

Chocolate, paixão, dormir cedo, acordar tarde

Arroz com feijão, matar a saudade

O aumento, a casa, o carro que você sempre quis

Ou são os sonhos que te fazem feliz?

Dormir na rede, matar a sede

Ler ou viver um romance

O que faz você feliz?

Um lápis, uma letra, uma conversa boa

Um cafuné, café com leite, rir a toa

Um pássaro, um parque, um chafariz

Ou será o choro que te faz feliz?

A pausa para pensar

Sentir o vento, esquecer o tempo

O céu, o sol, um somA pessoa, ou o lugar?

Agora me diz, o que faz você feliz?

Aquela comida caseira

Arroz com feijão, brincar a tarde inteira

O molho do macarrão

Ou é o cheiro da cebola fritando que faz você feliz?

O papo com a vizinha

O bife, a batatinhaA goiabada com queijo

Um doce ou um desejo

Afinal, o que faz você feliz?

Ficar de bobeiraAssaltar a geladeira

Comer frango com a mãoTomar água na garrafa

Passar azeite no pão

Ou é namorar a noite inteira que faz você feliz?

Rir e brindar à toaUm filme, uma conversa boa

Fazer um dia normal virar uma noite especial

Afinal, o que faz você feliz?

Comer morango com a mão

Pôr açúcar no abacate

Brincar com o melão

Goiaba, romã, jabuticaba

Ou é o gostinho de infância que te faz feliz?

Cuspir sementes de melancia

Falar besteiraFicar sem fazer nada

Plantar bananeira

Ou comer banana amassada

Afinal, o que faz você feliz?

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Ganho dos homens e ganho das mulheres




O nível de ganhos dos brasileiros é reconhecidamente baixo e as mulheres brasileiras - como as mulheres de todo o mundo - ganham ainda menos do que os homens.
A evolução da distribuição de renda de todos os brasileiros revela uma tendência de diminuição paulatina do contingente de trabalhadores com menores ganhos, entre 1976 e 1998. Assim, se em 1976 56% dos homens e 68% das mulheres ganhavam até 2 salários-mínimos (SM), chega-se a 1998 com 39% deles e 47% delas nesse mesmo patamar . O ano de 2002, contudo, apresentou uma inflexão nessa tendência: a proporção dos que ganham até 2 SM volta a subir, chegando a 51% entre os homens e 58% entre as mulheres, refletindo a queda dos rendimentos advindos do trabalho na população brasileira ocupada. Essas proporções vão variar de forma importante entre as regiões do país e um exemplo dessa diversidade é a região Nordeste, onde 68% dos ocupados e 61% das ocupadas ganhavam até 2 SM em 2002, ou R$ 400,00.
A desigualdade dos rendimentos femininos frente aos masculinos persiste durante os últimos 26 anos, seja qual for o ângulo sob o qual se analise a questão. Senão vejamos:

As mulheres ganham menos que os homens independentemente do setor de atividade econômica em que trabalhem. No ramo da educação, saúde e serviços pessoais,_ espaço de trabalho tradicionalmente feminizado_, por exemplo, encontraremos uma maior proporção de homens ( 30% versus 15% de mulheres) com rendimentos superiores a 5 SM;
No que tange à posição na ocupação, elas sempre ganham menos do que eles seja como empregadas, autônomas, empregadoras ou trabalhadoras domésticas. Veja-se o que ocorre no campo do trabalho doméstico, onde predominam as trabalhadoras: em 2002, 94% delas mas 84% dos trabalhadores domésticos do sexo masculino ganhavam até 2 SM;
Da mesma forma, são menores os patamares de rendimento feminino, independentemente da jornada semanal de trabalho adotada pelo trabalhador. Em 2002, entre aqueles que trabalhavam em período integral ( de 40 a 44 horas semanais) por exemplo, ganhavam até 2 SM 57% das ocupadas e 51% dos ocupados; na outra ponta, ganhando mais de 5 SM, estavam 16% dos homens e 13% das mulheres;
Quanto maior a escolaridade , maiores as chances de obter melhores rendimentos. Se isso é verdadeiro para trabalhadores de ambos os sexos, porém, parece se aplicar mais a eles do que a elas. Observando os rendimentos dos que atingiram os mais altos níveis de escolarização,_ 15 anos e mais, ou que cursaram uma faculdade_, tem-se que 42% dos homens mas apenas 18% das mulheres têm rendimentos superiores a 10 SM