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domingo, 30 de agosto de 2009

Teoria cruza calendário maia com Nostradamus, Bíblia e até o I Ching para prever o Apocalipse



No dia 21 de dezembro de 2012, um raro alinhamento do Sol com o centro da Via-Láctea dará início a uma série de eventos desastrosos. São esperados terremotos, dilúvios, pragas e distúrbios eletromagnéticos que culminarão com o fim dos tempos. Não há como ignorar os sinais de que o fim se aproxima: crise econômica mundial, gripe suína, aquecimento global, alterações no ciclo solar, guerras e desigualdade. A tese catastrofista se espalha e avoluma, incendiada pela internet, e há quem acredite piamente que até 2012 o mundo irá, mas de lá não passará. Até Hollywood embarcou na onda e lança uma produção milionária em novembro explorando o tema.

A origem distinta para previsões coincidentes seria a prova cabal para o fim trágico da humanidade. O rol de tragédias identificadas com a data está descrito em profecias das mais variadas culturas: oráculos romanos e gregos, o calendário maia, textos de Nostradamus, a Bíblia, o I Ching e até um programa de computador que filtra a internet atrás de tendências de comportamento.

É assim, misturando realidade com ficção e ciência com religião, que se criou a mais nova profecia para o fim do planeta. Mas o que há de real nessa confusão de história, astronomia, astrologia e religião? “Muito pouco”, diz o professor de física da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Walmir Thomazi Cardoso. Segundo ele, o argumento que serve de base para boa parte das profecias – o alinhamento do Sol com o centro da Via-Láctea em 21 de dezembro de 2012 – é fraco. Esse fenômeno vai, de fato, acontecer, mas será mais um entre tantos outros. Para nós, humanos, ele poderá parecer inédito, porque acontece uma vez a cada 26 mil anos, mas, para o planeta Terra, que tem 4,5 bilhões de anos, já aconteceu pelo menos 173 mil vezes. “Se alguém espera que as tragédias descritas pelas profecias se concretizem por desequilíbrios astrais, está perdendo tempo”, explica Cardoso.

Fonte: ISTOÉ / Overbo

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Minha avó



Futuro!Quem não gostaria de conhecê-lo?Desde criança temos essa curiosidade, mesmo quando chegamos a certa altura da vida , que temos muito mais passado do que possibilidade de futuro, ainda nos indagamos, o que acontecerá comigo daqui há um ano?Daqui dez anos?
Minha mãe conta que minha avó tinha quarenta e três anos quando nasceu meu irmão, primeiro neto!Naquela ocasião ela tinha algumas enfermidades que a debilitavam e então ela prognosticou:
_Que pena! não vou ver esta criança crescer.
E viveu até presenciar o vigésimo primeiro aniversário do filho de meu irmão, seu bisneto!
Minha avó faleceu com noventa e três anos.Era uma mulher fantástica!Ficou viúva quando tinha 32 anos , com quatro filhos para criar , o mais velho tinha doze anos.
A espanholita não tinha medo de nada! Enfrentava desde bandidos até bichos peçonhentos.
Na chácara onde ela morava e criou os filhos, plantava de tudo, de alface até berinjela, de jabuticaba a morango.
Sempre se sustentou e sustentou os filhos com o que plantava e colhia.
Não pensem que esta chácara ficava no interior,ficava em pleno coração da cidade de São Paulo, zona norte, Casa Verde.
Ela plantava também muitas flores e quando chegava o dia de finados, é quando ela mais faturava!
A chácara parecia um grande jardim, com margaridas, rosas, jasmins ,lírios, cravos,bocas -de -leões, minigirassóis, enfim, só flores de classe, não tinha crisântemo e monsenhor que são as flores dos finados atualmente.
É lógico que os filhos com doze anos já começavam a trabalhar para ajudar no sustento, nem que fosse para comprar um par de sapatos e uma roupinha, pois ela ainda tinha que pagar o aluguel da chácara .
Minha avó era a alegria em pessoa, sempre bem arrumada, adorava um baile, o que não era de estranhar, pois ela e as irmãs haviam sido bailarinas de flamenco quando viviam na Espanha.
Como ninguém é perfeito, ela tinha um gênio forte e ai de quem mexesse com a família dela.
Um episódio marcou essa proteção que ela dava aos filhos e netos:
Foi um dia em que a diretora da escola onde eu estudava reprendeu-me e me deu um tabefe na cabeça.Não era nada que eu tivesse feito, foi um equivoco.As meninas estavam enfileiradas no pátio para cantar o hino nacional, e justamente na hora da diretora passar ,uma amiga empurrou a outra, fazendo aquele efeito dominó na fila.No exato momento que eu fui empurrada e virei para trás para pedir a amiguinha de trás que parasse com a brincadeira, a diretora passou e bateu na que estava mais perto, no caso, eu.
Naquele tempo se aceitava que os professores batessem nos alunos.Os pais ainda davam bronca em quem apanhasse, pois alguma deveria ter aprontado!
Minha avó não se conformou.Ficou indignada! Logo com a neta dela?E ela que colhia as flores mais bonitas da chácara e levava para diretora para enfeitar a diretoria? Isso não ia ficar assim!
Foi lá no quintal, colheu as flores mais bonitas que havia e rumou em direção ao colégio.
Passou pela recepção e como todos já a conheciam, foi direto para sala da diretora e falou num bom portunhol:
_”Senhora diretora, aqueja menina em quem a senhora deu um tapa hoy, es my nieta .A senhora primeiro tem que parir um fijo para depois querer bater.Estas son las últimas flores que lhe traigo.Hasta la vista!
Saiu e nunca mais pisou naquela escola.E a diretoria nunca mais teve um lindo vaso de flores.E eu senti um orgulho danado da minha avó, que nem ler e escrever sabia, mas sabia enfrentar a diretora de igual para igual,para defender sua neta.
Quando ela chegou em casa me olhou e disse:
-El valiente vive hasta que el cobarde quiere.....(O valente vive quanto tempo o covarde deixar)
Não era guerreira a minha avó?


Wanda Wenceslau

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Aprendi



Aprendi

Aprendi que mulher tem vida difícil, dividida entre o trabalho e o lar. Aprendi lá fora. Mas não me disseram que poderia vencer estes obstáculos. Seria permitido sair na conquista de um espaço? Sofri silenciosa, identificando em meu coração anseios que iam muito além dos limites que me apontavam.

Aprendi que a gente cresce, casa e tem filhos. Aconteceu comigo também. Mas não como imposição. Cresci e percebi que principalmente a maternidade estava entre meus sonhos mais profundos. Algo que se tornou real e veio como uma bênção de Deus.

Aprendi que as profissões têm sexo e que não era lícito entrar naqueles tipicamente masculinos. Mas ainda assim abracei a matemática como início de minha vida profissional. Sei que muitas vezes me acharam estranha, como poderia uma mulher gostar de números? Mulheres são feitas para coisas menos áridas. Mas fui feliz assim. Até hoje a lógica me fascina e me aponta caminhos. Via em meu pai como isto fazia bem. E desde cedo minha família percebeu este encantamento e me ajudou a torná-lo algo possível, palpável.

Aprendi que minha primeira atribuição deveria ser a casa. Não foi assim comigo. Não necessariamente todo o tempo. Ás vezes me volto para meu ninho, como um pedaço do mundo só meu, só de minha família e de meus amigos. Gosto de cuidar dele. É lá que sou mais verdadeira, mais eu mesma. Mas também amo a vida lá fora. Amo o dia que vem me convidar a uma nova experiência. Ele não tem preconceitos.

Aprendi ser responsável, a pensar sempre antes de decidir, a ser dependente, a ser realista. Aceitei. A vida me tornou uma pessoa um tanto racional, mas não totalmente. Gosto de seguir impulsos, gosto de agir livremente, gosto de contar com as pessoas, sem crise, sem pressa, sem dívidas.

Aprendi que o mundo é um grande mestre. Ensinou-me as viver emoções. Tocou minha alma feminina. Deu-me uma família que me incentivou para a leitura, os estudos, a realização. Os conceitos vigentes não me escravizaram. Fui aprendendo lá fora, mas educada em casa. Via em meus pais o valor do papel feminino. E os admirava acima de tudo.

E estou eu aqui, mulher. Sinto o gosto da alma feminina em meus atos. Sinto aquele orgulho de ser mulher. Tenho vontade de fazer muito mais coisas do que permite o tempo. Este, sim, limita-me porque a vida é uma grande oferta.

Sonho e vou em frente consciente de minha determinação. Com lágrimas, mas também sorrisos; com derrotas, mas também vitórias. Minha alma feminina entoa a música de simples fato de ser mulher.


Cristina Arraes Moreira
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Eu entendo bem a Cristina!Ela descreve o modo de eu me ver e de ver a minha vida

sábado, 22 de agosto de 2009

Futebol




ÉPOCA
1974.
JOGO
Corinthians x Palmeiras
Decisão do Campeonato Paulista
CENÁRIO
Morumbi
ESCALAÇÃO
Palmeiras: Leão; Jair Gonçalves, Luís Pereira, Alfredo Mostarda e Zeca; Dudu e Ademir da Guia; Edu, Leivinha, Ronaldo e Nei.
Técnico: Oswaldo Brandão.
Corinthians: Buttice; Zé Maria, Brito, Ademir e Wladimir; Tião e Rivellino; Vaguinho, Zé Roberto, Lance e Adãozinho (Pita).
Técnico: Sylvio Pirillo.
Árbitro: Dulcídio Wanderley Boschillia
Público: 120.522 pagantes


SITUAÇÃO
O Corinthians 20 anos na fila sem ganhar o titulo de Campeão Paulista.
O Corinthians tinha cerca de 80% da arquibancada
Os palmeirenses espremidos nos 20% restantes estava menor que a torcida do Juventus
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HISTÓRIA

Meu cunhado João, 1,92m de altura,palmeirense,chegou em casa eufórico:
_Consegui quatro ingressos para as numeradas, vamos assistir o jogo!
Eu, que naquela época, era tão fanática que sabia a escalação do verdão até dos gandulas, fiquei superanimada.
Todos os palmeirenses estavam amedrontados, cheios de paura,o Timão já estava consagrado campeão do título, pela mídia.
Diz a lenda que: Ademir da Guia até cumprimentou Rivelino pelo titulo, antes do jogo.
Talvez por isso, deixaram o estádio praticamente só para os corintianos.
Chegamos ao Murumbi com um hora de antecedência e ficamos apreciando a festa dos Gaviões.Bandeiras de todos os tamanhos, hino cantado a pleno pulmões, refrões ensaiados, uma festa !.
Cento e vinte mil torcedores, dos quais;dez mil palmeirenses!
O jogo começou, apesar do time do palmeiras cansado de muitas turnês e o time do Corinthians apático, o jogo estava bem disputado.
Meu ídolo maior em campo, Ademir da Guia: o Divino.
Rivelino a estrela do time alvinegro ,na opinião da imprensa esportista , o maior jogador que o Timão teve, nele estavam depositada todas as esperanças corintiana naquela tarde!
Terminou o primeiro tempo zero a zero.
A galera fazia a festa, jogando copinhos "cheios " para o lado da torcida palmeirense na arquibancada.
Eu com uma humilde bandeirinha do palmeiras, agitava muito discretamente,com a sensação de que a bola do jogo estava no meu estomago:era a paura!
Recomeçou o jogo, segundo tempo, e aos 24 minutos ,Jair Gonçalves cruzou na entrada da grande área, Leivinha ganhou a disputa pelo alto com Brito e, de cabeça, tocou para Ronaldo, o atacante pegou de voleio, a bola ainda bateu nas mãos de Buttice e foi morrer no fundo das redes corintianas.
Minha gente.....foi um minuto de silêncio sem ser pedido por falecimento de alguém, nem os corintianos gritavam, nem os palmeirenses, dado o susto que foi, para os corintianos era um sonho mau e para os palmeirenses, o impossível!
Saídos do espanto do impossível, os palmeirenses comemoraram o gol.
Dai pra frente o Corinthians morreu em campo, e o mártir enterrado foi Rivelino.
Nos quase vinte minutos que faltava para o término da partida,meu coração acelerou ao máximo
Eu só pensava no empate e em mais um gol do Corinthians quando finalmente ouvi o apito.
Jogo terminado , por mais que se quisesse ignorar, havia ali uma massa humana desiludida e arrasada, e não se sabia qual seria a reação
Difícil foi sair do estádio, apesar da companhia do meu grande cunhado e do meu marido,eu não tive coragem de empunhar a minúscula bandeirinha alviverde.
Alguns atrevidos ainda gritavam:
_Zumzumzum é vinte e um!
Depois de dois meses, por coincidência, eu fui ao Rio de Janeiro e queria conhecer o Maracanã, lá assisti o jogo ,Corinthians e Fluminense , na apresentação do Rivelino que acabava de ser contratado pelo tricolor.
Resultado do jogo?Fluminense 4 x Corinthians 1-Três gols do Rivelino.
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Já não sou fanática como antigamente, pois futebol já não tem mais aquela magia que tinha.Agora é só $$$$$$$$!
Amigos de todos os times, que quiserem escrever aqui suas experiências como torcedor, o espaço está aberto.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Ser sensível




Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia. Esse jeito de ver além dos olhos, de ouvir além dos ouvidos, de sentir a textura do sentimento alheio, tão clara, no próprio coração. Essa sensação, às vezes, de ser estrangeiro e não saber falar o idioma local, de ser meio ET, uma espécie de sobrevivente de uma civilização extinta. Essa intensidade toda em tempo de ternura minguada. Esse amor tão vívido em terra em que a maioria parece se assustar mais com o afeto do que com a indelicadeza. Esse cuidado espontâneo com os outros. Essa vontade tão pura de que ninguém sofra por nada. Esse melindre de ferir por saber, com nitidez, como dói ser ferido.

Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia. Essa saudade, de fazer a alma marejar, de um lugar que não se sabe onde é, mas que existe. Essa possibilidade de experimentar a dor, quando a dor chega, com a mesma verdade com que experimenta a alegria. Essa incapacidade de não se admirar com o encanto grandioso que também mora na sutileza. Essa vontade de espalhar buquês de sorrisos por aí, porque os sensíveis, por mais que chorem de vez em quando, não deixam adormecer a ideia de um mundo que possa acordar sorrindo. Pra toda gente.

Eu até já tentei ser diferente, por medo de doer, mas não tem jeito: só consigo ser igual a mim.

ANA JÁCOMO

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Jiló




Jiló era o apelido de um garotinho franzino que morava numa casa invadida por sem-tetos e que ficava próxima a minha casa.
Seu verdadeiro nome era Wellinton, não sei porque o apelido de Jiló.
Ele tinha os cabelos encaracolados e a pele bem morena , quase mulato.
Todas as tardes ele vinha até minha casa e me pedia bolachinhas.
As vezes eu me irritava porque ele chegava na hora em que estava ocupada com a preparação do jantar ou então muito entretida num programa de tv, mas mesmo reclamando eu atendia ao pedido dele..
Eu tinha muita pena , era só uma criança de mais ou menos seis anos e que vivia largado pela rua.Sua mãe trabalhava para sustentar a ele e ao irmão, já que seu pai havia sumido no mundo.
Jiló fez amizade com os meus vizinhos de idade aproximadas à sua e viviam brincado na rua, ele só fazia um intervalo para tocar a campainha da minha casa e pedir:
_Me dá uma bolachinha?
Os anos foram passando e eu sempre alimentado-o, ora com um lanche, ora com bolachinhas, e até lhe segredei uma vez:
_Quero que fiques forte para não apanhares mais desses garotos da vizinhança.Se você se alimentar bem ,vai ser mais forte do que eles.
Ele sorriu com seu olhar triste e voltou à brincadeira.
As vezes jogavam futebol e eu ficava apreciando a habilidade dele com a bola,era um ótimo jogador!
Todos os garotos foram crescendo e Jiló obviamente foi crescendo também, tornando-se um rapaz.
Por causa de sua condição financeira, e por morar numa casa invadida e com pessoas de atitudes suspeitas, ele era discriminado, sempre o mais judiado nas brincadeiras entre os rapazes, brincadeiras que ofendiam a sua condição de menino pobre ou melhor ;miserável!.
Quando já tinha uns quatorze anos, certa vez veio me pedir um lanche pois sua mãe estava hospitalizada e ele estava sem comer.
Essa foi a última vez que pediu em minha porta, sua mãe logo faleceu e ele não vinha mais encontrar-se com os garotos da vizinhança,diziam que ele se juntara a pessoas do mal.
Um dia eu estava numa lanchonete que fica próxima a minha casa quando ele chegou.O mesmo olhar triste .Pediu um lanche ao balconista.Puxei assunto e perguntei o que ele andava fazendo , ele me disse que estava trabalhando e estudando e que ainda morava na mesma casa.
Muito tímido, ele não deu trela e eu não perguntei mais nada.
Só na hora de sair eu disse:
_As bolachinhas surtiram efeito!Ele entendeu que eu me referia ao físico sadio que ele apresentava.
Passados uns dois meses depois desse encontro, os rapazes que eram amigos dele, vieram me dizer que Jiló tinha morrido baleado num assalto.
Contaram que ele assaltou uma pizzaria e quando fugia em uma moto o dono da estabelecimento atirou nele e ele morreu na hora.
Quase o enterraram como indigente porque ninguém havia reclamado o corpo.Os pais dos jovens que foram criados com ele , juntaram-se e fizera-lhe um enterro descente.
Eu só fiquei sabendo de todos o acontecimento alguns dias depois do enterro.
Fiquei muito pesarosa e entristecida porque sabia que eu poderia ter mudado todo destino do garoto se o tivesse ajudado mais, e ter ficado mais atenciosa ao que acontecia com ele, defendê-lo quando ele era apenas um garotinho.
Um peso de culpa que não me abandona, mas ,agora não tem mais volta.
Hoje mesmo um outro garotão veio bater a minha porta e me pediu algo para comer, me lembrei imediatamente do Jiló e com lágrimas nos olhos e um aperto no coração levei para ele um pacote de bolachinhas , um café e um lanche.
Torço para que esse novo sem teto consiga se distanciar da sina de todo garoto de rua,....o crime.....a morte precoce!.
Seria este um país maravilhoso se todos fossem responsáveis pelos filhos que colocam no mundo.Que nenhum pai e mãe abandonasse seus filhos, que os alimentasse, os educasse e lhe dessem proteção e carinho.
Somos só hospedes do planeta, uns partiram, outros estão aqui e depois outros virão, porque fazer da nossa vida uma redoma impenetrável?
Espero poder consertar minha atitude em relação ao Jiló e nesta oportunidade que a vida me oferece, fazer de tudo para que a história não se repita.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Cidadão


Tá vendo aquele edifício moço?
Ajudei a levantar
Foi um tempo de aflição
Eram quatro condução
Duas pra ir, duas pra voltar
Hoje depois dele pronto
Olho pra cima e fico tonto
Mas me vem um cidadão
E me diz desconfiado, tu tá aí admirado
Ou tá querendo roubar?
Meu domingo tá perdido
Vou pra casa entristecido
Dá vontade de beber
E pra aumentar o meu tédio
Eu nem posso olhar pro prédio
Que eu ajudei a fazer

Tá vendo aquele colégio moço?
Eu também trabalhei lá
Lá eu quase me arrebento
Fiz a massa pus cimento
Ajudei a rebocar
Minha filha inocente
Vem pra mim toda contente
Pai vou me matricular
Mas me diz um cidadão
Criança de pé no chão
Aqui não pode estudar
Esta dor doeu mais forte
Por que que eu deixei o norte
Eu me pus a me dizer
Lá a seca castigava mas o pouco que eu plantava
Tinha direito a comer

Tá vendo aquela igreja moço?
Onde o padre diz amém
Pus o sino e o badalo
Enchi minha mão de calo
Lá eu trabalhei também
Lá sim valeu a pena
Tem quermesse, tem novena
E o padre me deixa entrar
Foi lá que cristo me disse
Rapaz deixe de tolice
Não se deixe amedrontar

Fui eu quem criou a terra
Enchi o rio fiz a serra
Não deixei nada faltar
Hoje o homem criou asas
E na maioria das casas
Eu também não posso entrar

Fui eu quem criou a terra
Enchi o rio fiz a serra
Não deixei nada faltar

Hoje o homem criou asas
E na maioria das casas
Eu também não posso entrar

Composição: Lucio Barbosa
Cantor: Zé Geraldo

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Cinderela moderna





Cinderela vivia com sua mãe num apartamento confortável perto da estação Santana do metrô.Suas únicas preocupações eram: ir ao colégio e pesquisar o que iria fazer no próximo final de semana.Toda noite quando a mãe chegava do trabalho perguntava o que ela tinha feito, e lá vinha ela com uma porção de reclamações.Era o barulho das crianças do prédio, era a falta de mesada para ir ao shoping, era reclamações e mais reclamações, a mãe já não suportava mais.Tudo piorou num final de semana que a mãe foi viajar .A jovem Cinderela se achando dona do pedaço, convidou a turma para uma festinha no apê.Adivinha! Foi muito mais gente do que o previsto e a Cindy(assim as colegas a chamavam) perdeu o controle da situação, o apartamento foi praticamente destruído!Sofás manchados, armários quebrados, piso arranhado, cortinas e tapetes rasgados e manchados, um verdadeiro caos.Quando a mãe dela chegou de viagem ficou possessa e mandou que ela fosse morar com o pai.Ela exultou! Era isso mesmo que ela queria , lá ela teria a liberdade sonhada.
O pai meio a contragosto levou-a para a casa. Arrumou um quarto para ela nos fundos da casa, visto que os dormitórios já tinham donas que não queriam abrir mão deles, eram as filhas de sua madrasta, Isabel e Isadora.
A partir desse dia, Cinderela perdeu as regalias que tinha com sua mãe, passou a lavar e a passar a própria roupa e a cozinhar para si.As enteadas do seu pai não gostavam dela e não queriam a sua amizade, assim ela passou a conversar com o gato e o cachorro da casa.Isabel e Isadora saiam todo dia para o shoping e compravam roupas finas e caras, enquanto Cinderela tinha que se arranjar com a mesada que seu pai lhe dava.
O pai não lhe fazia companhia, nunca estava presente, sempre trabalhando além do horário para sustentá-las .
Um dia o pai chegou com uma boa noticia:o filho do dono da empresa estava formando-se em engenharia e iria dar uma festa para comemorar a formatura e também o seu aniversário.
As irmãs ficaram empolgadissímas, era a oportunidade que esperavam para dar o golpe do baú e continuarem com suas vidas ociosas e sem perspectivas.Correram logo para as compras , procurando por belas roupas e sapatos.
Cindy começou a pesquisar preços, com sua mesada não ia poder comprar roupas de grife assim como as irmãs comprariam.
Reclamava ao gato:
-Não sei o que fazer, tenho que ir a essa festa e não tenho uma boa roupa, será que alguém pode ajudar-me?
O gato miava e lambia-se, não tinha noção do que a menina falava.
Uma senhora que passava pela rua, ouviu os lamentos de Cinderela e chamou-a.
_Tenho exatamente o que precisas, venha a minha casa.
Chegando lá a mulher lhe mostrou várias roupas lindas, pois era modista de uma famosa confecção.
_Posso emprestar-te uma destas roupas mas terás que devolvê-la antes da meia noite
Cinderela dava pulinhos de alegria, pegou a mais bela roupa e foi para casa esperar a hora da festa.
Isabela e Isadora estavam todas emperiquitadas ao lado da madrasta, quando Cinderela chegou na festa ,num táxi que a trouxe e logo foi embora.
Todos olharam para aquela bonita moça que chegava,até o aniversariante ficou encantado com ela.
Todos dançaram e se divertiram muito, porém ,perto da meia noite o rapaz chamou a todos para anunciar que tinha achado a mulher de sua vida.
Era uma amiga que conheceu na faculdade e que também estava se formando, que era uma moça meiga, delicada e trabalhadora e que iriam casar-se em breve.
Ao ouvir isso, Cinderela percebeu que não iria tirar vantagem e que já estava chegando a meia noite ,correu para devolver a roupa a senhora .Quis passar ligeiro pela porta ,enganchou a roupa na maçaneta e rasgou-a, foi descer as escadas, torceu o pé e perdeu o sapato.
Conclusão, teve que trabalhar para a senhora da confecção até descontar o preço do sapato e das roupas , suas irmãs preguiçosas também tiveram que ralar , pois sem o golpe do baú ficava difícil pagar as prestações das roupas de grife e a madrasta foi ser manicure num salão de beleza,já que o marido de tanto trabalhar para sustentar as preguiçosas , ficou doente e perdeu o emprego.


Moral da história: Arregaça as mangas, estuda ,trabalha e corre atrás do prejuizo, que até os contos de fada já não são mais os mesmos!

Wanda Wenceslau

sábado, 15 de agosto de 2009

Woodstock





Hoje a apresentação do Festival de Woodstock está completando quarenta anos.
Menos de um mês depois de o homem pisar na Lua, nos Estados Unidos foi realizado um festival de rock que entrou para a história. Woodstock reuniu 500 mil jovens, que queriam contestar os valores vigentes, que rejeitavam o militarismo e buscavam soluções alternativas.
Era 1969 e os Estados Unidos viviam o auge da Guerra do Vietnã.Muitos jovens protestavam contra essa guerra.
Épocas de guerras sempre foram também consideradas de revoluções culturais , inclusive nas artes. Como aconteceu com Woodstock, a maior revolução musical de todos os tempos. As sociedades se uniram pela paz e o amor.
Não se via publicidade do evento e não se sabe explicar como tanta gente foi atraída para aquele lugar.
O mega show aconteceu numa antiga Fazenda com 600 acres, de Max Yasgur ,na cidade rural de Bethel, Nova York,de 15 a 18 de agosto de 1969.
Os jovens acharam seu paraíso da liberdade de expressão. Todos diziam o que queriam. Os protestos eram ininterruptos, só mudava o assunto.
Se a idéia do amor livre remete à promiscuidade, não sei o que dizer, mas não era o que se vivia em Woodstock. Não nego que havia excessos, mas havia muita gente intelectualizada. Eles defendiam que o que define uma relação não é um papel e sim o afeto. Em Woodstock se ridicularizava o casamento por conveniência e de satisfação aos costumes da sociedade.
E em clima de faça amor, não faça guerra, durou quase uma semana, protestando contra o governo americano e contra os pais que faziam seguro de vida em nome dos filhos, que ficavam como beneficiários e os mandavam para o Vietnã.
O LSD rolava solto, assim como a marijuana (maconha), o que não quer dizer que todos usassem.
Os mais velhos, os hippies do início dos anos 60, que viviam em comunidades alternativas, eram os que consumiam LSD, mas não a grande massa, não como a mídia colocou. Hoje rola cocaína e maconha nos eventos, não é diferente.
Os jovens que fizeram Woodstock eram pessoas extremamente controladas em suas vidas. Lá pregaram uma convivência de solidariedade, a proposta de mudarem a si próprios e de viver em harmonia com as outras pessoas, e o combate à hipocrisia. Cada um tentou levar isso para suas vidas, independente de ter que usar gravata ou tailleur nas suas profissões depois. O que marcou em Woodstock foram os motivos políticos e ideológicos. Woodstock mostrou que se podia viver em comunidades mais conservadoras e preservar valores pessoais. O festival foi muito centrado no jovem oriundo do Vietnã. Mas até mesmo o lado paz e amor foi explorado pelo sistema, que usou a idéia para manter os jovens longe das passeatas.

Sendo um festival todo filmado,é lógico que sobressaíram as cenas de nus e de drogas, por que um repórter iria estar filmando as pessoas comuns e com comportamentos enquadrados na sociedade, se podia filmar o incrível e o absurdo das cenas não convencionais?




*Os artistas que participaram deste show por ordem de entrada no palco.

Richie Havens,Swami Satchidananda,Country Joe McDonald ,
John Sebastian, Sweetwater ,The Incredible String Band ,Bert Sommer ,
Tim Hardin,Ravi Shankar ,Melanie .Arlo Guthrie,Joan Baez,Quill,Keef Hartley Band ,
Santana ,Country Joe McDonald ,Canned Heat ,Mountain ,Janis Joplin ,Grateful Dead
Creedence Clearwater Revival ,Sly & the Family Stone ,The Who,Jefferson Airplane ,
Joe Cocker ,Country Joe and the Fish,Ten Years After ,The Band ,
Johnny Winter ,Crosby, Stills, Nash & Young ,Paul Butterfield Blues Band
Sha-Na-Na ,Jimi Hendrix

O Festival de Woodstock ficou famoso com o slogan "Drogas,sexo e Rock and Roll",mas acredito que se hoje houvesse a possibilidade de repetir esse show de três dias com mais de quinhentos mil jovens, o Festival de Woodstock iria parecer uma concentração de freiras.
(*)Pesquisa feita na Wikipedia

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Comédias da Vida


Não existe ditado mais certo que este:"A mentira tem pernas curtas" , e tem mesmo!Quando é descoberta uma mentira ,é ainda mais vergonhoso ela vir acompanhada de um "teatro" , nem me fale!.
Quando começou a construção do colégio , onde mais tarde eu estudaria, foi um acontecimento no bairro, já que não havia uma escola pública nas redondezas.
Começaram a contratar pessoas para a construção e para todos os serviços da obra.
Minha avó tinha um vizinho que foi nomeado para o ser guarda noturno na construção do colégio. Benedito, era o nome dele.A sua função era a de tomar conta da construção durante à noite para que nenhum material fosse roubado ou desviado.
E assim foi a construção durante meses, e Seu Benedito a passar as noites entre a ronda e a cama, sim, porque vez ou outra, ele ia para casa tirar "um cochilo".
O colégio já estava na fase final de construção, quando numa dessas intermináveis noites de ronda, o Seu Benedito sentiu aquele soninho, um friozinho que necessitava um cobertor e colchãozinho macio , então resolveu dar uma chegada na sua casa que ficava uns cem metros do local de trabalho.
Dormiu bem umas quatro horas e ainda meio sonado, depois de tomar um café quentinho que Dona Phina , sua mulher , tinha acabado de preparar, foi preguiçosamente vistoriar a obra.
Mal ele colocou os pés na rua já se deparou com algo que o deixou congelado.Havia sumido da obra ,uma enorme placa , na qual o governo anunciava o projeto da futura escola e data do inicio de funcionamento da mesma.Essa placa esteve ali durante meses, desde que a construção da escola havia começado.
Seu Benedito voltou para casa com uma terrível dor de barriga e dentro do banheiro, gritava os seus temores para Dona Phina:
_O que faço eu agora , mulher?Quando os engenheiros chegarem e derem por falta da placa?Ai que Deus me ajude! é capaz deles descontarem do meu salário !
E assim continuou fazendo as previsões de tudo que poderia acontecer-lhe.De repente teve uma idéia!
Já mais aliviado, ele sai do banheiro e diz para a mulher que havia pensado em algo para dizer ; talvez os engenheiros até ficassem com pena dele.
Assim entre a esperança e o temor , lá foi ele em direção ao novíssimo prédio da escola, ao encontro da chefia.
Os homens todos bem alinhados com ares de doutores, assim era naquele tempo; esqueci de dizer que esta história se passava nos meados do século XX;receberam o Seu Benedito , meios surpresos, pois o homem vinha em prantos e jogava-se aos pés deles.
_Senhores, não sabem o que me aconteceu: dizia o homenzinho entre lágrimas.
_Calma homem, diz lá! o que aconteceu? pergunta o chefe dos engenheiros.
_Estava eu fazendo a ronda aqui esta noite, quando um homem alto e forte, apontou para mim um revólver e ordenou que eu entregasse a placa do governo ,aquela que estava diante da construção!
Os engenheiros entreolharam-se e um deles perguntou:
_ O senhor entregou-lhe aquela enorme placa? E ele carregou sozinho?
Seu Benedito meio gaguejando respondeu:
-Ele não estava sozinho, tinha mais três comparsas esperando-o. Pegaram a placa , colocaram em um caminhão e saíram em alta velocidade!
Os engenheiros entreolharam-se novamente e caíram em gargalhadas, riram até não poder mais.
O Seu Benedito, muito sem graça, esboçou um risinho amarelo e questionou o por que de tantas risadas.
Ainda meio sem respirar direito pelo esforço das risadas, um deles explicou:
_ Oh! então Sr.! A placa foi retirada ontem por uma equipe da prefeitura, já no finalzinho da tarde! disse e continuou rindo.
As pessoas que estavam presentes na ocasião do acontecido contam que o Seu Benedito ficou tão vermelho que parecia que todo sangue do corpo tinha-lhe subido à cabeça, as orelhas pereciam dois foguetes prontos para estourar.
Pena que ele não tinha entrado para as artes cênicas quando jovem, pois a cena que veio a seguir lhe daria o tão almejado Oscar!
Desatou numa louca gargalhada que deixou todos desconsertados e naquele sotaque interiorano, ainda com os olhos cheios d'água, disse :
_Pensei que ninguém tinha visto a placa ser retirada,estava só querendo "inganá voceis ".
........
Já se passaram mais de setenta anos desde esse acontecimento e muita gente ainda se diverte com a história!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Um mundo dentro de outro



Atualmente, São Paulo é o quarto maior aglomerado urbano do mundo, depois de Tóquio, Cidade do México e Mumbai (Bombaim). Desta forma, possui em torno de 18 milhões de habitantes, com um PIB de US$107 bilhões, 20% da economia brasileira. É o mesmo PIB de Portugal ou Tailândia, e uma vez e meia superior ao do Chile.

A porcentagem da população alfabetizada é de 92,6%, enquanto a média brasileira é de 84,3%. E o mesmo acontece na renda per capita: A renda per capita em São Paulo é de US$6200, o que já é quase duas vezes o valor da média nacional.

Nesta metrópole 6 em cada 10 adolescentes e adultos costumam passear em shopping center; 1 em cada 4 habitantes tem telefone em casa; há 1 carro para cada 2 habitantes -o mesmo índice da França, Japão e Reino Unido-; e 25% dos adolescentes maiores de 11 anos acessam a internet.

Hoje em dia, 49 das 100 maiores empresas privadas do país tem sede em São Paulo, a capital brasileira dos negócios e serviços.

E nem é necessário dizer que São Paulo é a maior cidade do Brasil, entre as 30 "cidades globais" do mundo todo, capital da cultura, capital mundial da gastronomia (com seus 700.000 bares e restaurantes), da pizza, e a capital dos edifícios: Em São Paulo, existe um mar de prédios: São 48.000 edificios com mais de 12 andares na capital. As estatísticas mostram que a cada 20 horas, um novo edifício foi inaugurado em São Paulo em 2004. Embora não possua nenhum mega arranha-céu, é considerada a cidade mais densamente ocupada por prédios altos no mundo.

Sua população é formada pelas mais diferentes etnias: Os imigrantes, que aqui chegaram no final do século XIX, trouxeram culturas diferentes, e tradições que permanecem até hoje. São Paulo já tem mais descendentes de italianos que a própria capital da Itália, Roma... e é em São Paulo que está a maior colônia nipônica: Em nenhuma outra cidade do mundo fora do Japão, existem tantos japoneses.

O trânsito na cidade é caótico: com quase 6 milhões de veículos, a cidade conta com a maior frota de ônibus do mundo, a segunda maior frota de helicópteros, a segunda maior frota de jatos comerciais, e o metrô mais denso do mundo. Tem também o maior número de helipontos existentes numa cidade: 400. O dobro do número de Nova York, a segunda colocada no ranking.

As grandes aglomerações formaram lugares super movimentados. São Paulo e Nova York são eleitas as duas cidades mais barulhentas do mundo. Alguns dos lugares mais movimentados do mundo estão na capital das capitais: na Estação Sé do metrô, no final da tarde, passam 100.000 pessoas por hora. No shopping Center norte, 150.000 pessoas por dia (em São Paulo fica também o maior shopping da américa latina: O aricanduva.)

Depois de ter se fortificado e crescido com as indústrias do século XX, São Paulo ruma para o setor de serviços. Atualmente, portanto, para cada funcionário no segundo setor, existem 3 no setor de serviços.

Com relação a cultura, São Paulo tem a vida cultural mais agitada do Brasil: Diariamente, surgem novas oportunidades de lazer, diversão e entretenimento. Exposições de arte permanentes e temporárias, como as do MASP, o principal museu da América Latina, centenas de salas de cinema, teatro, shoppings e muito mais. E quando o sol se põe, a agitadíssima vida noturna de São Paulo, tida como a melhor do mundo para alguns faz com que a cidade não pare nunca. É outro símbolo da cidade.

Também na gastronomia, São Paulo é a melhor do mundo: Pela quantidade de restaurantes, pela diversidade de culinárias, pela variedade de preços, pela fama. E o próprio paulistano escolheu seu prato favorito: a pizza. Em São Paulo, são preparadas 12 pizzas por segundo, e a demanda cresce a cada dia.

Os museus são muitos, assim como os PONTOS TURISTICOS. É impossível conhecer a cidade inteira numa viagem só, e a grande maioria de seus habitantes nem sequer esteve em todos os seus bairros.

Existe agora uma tendência de crescimento da cidade no aspecto cultural, já que a toda hora surgem novos espaços culturais, e a cidade recebe a maior quantidade de feiras e exposições do país.

Um dos lugares aonde estão algumas das melhores exposições é a Oca do Ibirapuera; as grandes feiras do Brasil acontecem no maior complexo de exposições da América latina: O anhembi, aonde acontecem também os desfiles das escolas de samba no carnaval. Há também o salão do automóvel, o sexto maior do mundo, as bienais do livro, das artes, de arquitetura...

E duas vezes por ano, São Paulo fortifica a idéia de capital da moda na América Latina: O São Paulo Fashion Week, a quinta maior semana de moda do mundo, dita as novas tendências, das passarelas para as ruas. É também considerada a capital das super grifes: A Mont'blanc, por exemplo, tem 4 lojas só na capital.

Há também o endereço mais caro do Brasil: o Shopping Iguatemi, paraíso do luxo, e o único endereço brasileiro a estar na lista dos mais caros do mundo. Foi inaugurada, em 2005, a nova Daslu, um shopping para poucos, com as maiores grifes do mundo. Sem contar com as importantes avenidas e corredores financeiros na cidade: Começando pela Avenida Paulista, a cara de São Paulo, e as mais modernas, como a Berrini, Faria Lima, Nações Unidas, Juscelino Kubitschek entre muitas outras.

E é justamente nestas avenidas que se pode ver as mais novas amostras de arquitetura: inaugurando um prédio a cada 20 horas, é lógico que São Paulo também é capital da arquitetura: E tem edifícios e construções para todos os gostos: desde edifícios em estilo francês, com jardins bem cuidados até verdadeiros paredões de vidro, nos mais modernos. A todo dia, a cidade acorda diferente.

Quando se discute o problema de São Paulo ser a capital do turismo de negócios mais não a de turismo convencional, se procura uma explicação, afinal, a metrópole tem potencial. A maioria diz que falta uma imagem clichê de São Paulo, uma iconografia mais forte (o que a Torre Eiffel é para Paris, o que o Cristo Redentor é para o Rio de Janeiro), possivelmente um grande edifício.

"A verdadeira marca de São Paulo é justamente não ter cara, não ter marca, e ser uma cidade cem por cento dinâmica. A São Paulo de hoje não é a mesma de ontem, aliás, nem é a mesma de 20 segundos atrás. É uma cidade que se constrói e se destrói a cada dia que passa. Mas ainda nos resta a memória... e talvez somente a memória."

Cesar Matiusso

Aqui são descritas só a parte bela , desenvolvida e boa da cidade, em outra oportunidade mostrarei o número de favelas,miséria e lugares abandonados desta minha paulicéia desvairada.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Mico (2)



Quando estou concentrada num determinado serviço ou objetivo, não presto muito atenção nas coisas em volta, quero despachar logo o que me atrapalha e terminar o serviço começado.Ando sempre assoberbada!
Eu estava com milhões de coisas para fazer e queria terminar logo porque ainda teria que ir ao Banco.Era o último dia para entregar a declaração do imposto de renda, se não o fizesse , lá vinha a multa!
Toca a campainha e eu , antes mesmo de atender, já ia pensando na maneira de despachar seja lá quem fosse.
Um rapaz fazendo gestos, dando a entender que era surdo-mudo, me entregou um papel e eu li sem prestar muita atenção, entendi que ele precisava de ajuda(esmola) para comprar um determinado aparelho e nem me alonguei mais na leitura do conteúdo todo, pois queria ver a criatura fora dali o mais breve possível!
Entrei para dentro de casa e procurei uns trocados e entreguei ao rapaz, ele foi agradecendo e me cobrindo de bençãos e votos de milhares de coisas boas, com cartazes de agradecimentos.
Quase deixei-o "falando" sozinho e entrei para terminar meus afazeres.
Minha filha chega logo em seguida e eu já vou toda irritada descrevendo tudo o que ainda tinha por fazer e que um sujeito se dizendo surdo-mudo veio me pedir ajuda e que lhe dei uns trocados pois ele estava pedindo dinheiro para comprar um aparelho, acho que um rádio portátil ou coisa assim.
Minha filha arregalou os olhos de surpresa e depois caiu na gargalhada.
Disse:
-Mãe, para que um surdo vai querer um rádio portátil?
Fiquei paralisada ! Não tinha certeza se no papel que ele trazia estava escrito rádio portátil, pois não tinha prestado nenhuma atenção ao escrito do papel, na minha insanidade estressada de livrar-me dele.Mas por via das dúvidas esqueci minha pressa e sai à rua para ver se via o tal sujeito, porém, nem sinal dele.Olhei para um lado e outro para certificar se aquilo não tinha sito uma "pegadinha" e se não havia uma camêra escondia, e se no próximo domingo eu estaria num programa de tv entre os tolos que caem nesse tipo de brincadeira.
Agora , cada vez que vejo um pedinte com esses papéizinhos escritos, me lembro logo da minha parvalhice e me ponho a rir.O pior é, que nos tais papéis tem sempre coisas tristes escritas.Faço outra vez o papel de tola!
Wanda Wenceslau

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Meu amigo/Minha amiga





Com advento da Internet, esse mundo de amigos ficou maior.Pessoas que não conhecemos, mas conhecemos o que elas pensam e os seus sentimentos também!
As vezes sabemos mais da vida delas, que vivem até em outros continentes, do que sabemos da vida dos nossos vizinhos

Como é surpreendente o relacionamento humano.Pessoas de quem nem sabíamos a existência , de repente entram em nossas vidas, trazendo uma bagagem de vivência que muito nos auxiliam.Podemos ver o mundo por outros olhos, por outros sentimentos e até com novas diretrizes..

Os amigos da vida real , que caminham do nosso lado e estão presentes em nossas emoções:alguns nos acompanham desde que começamos a andar, outros encontramos na estrada da vida e passaram a fazer parte do nosso caminho.

Algumas pessoas se destacam para nós. Não há argumento capaz de nos fazer entender exatamente como isso acontece. Porquê dançam conosco com mais leveza nessa coreografia bela, e tantas vezes atrapalhada, dos encontros humanos. Muitas vezes tentamos explicar, em vão, a medida do nosso bem-querer. A doçura de que é feito o olhar que lhes dirigimos. O sentimento que nos move para ajudá-las a despertar um único sorriso.

Não importa quando as encontramos no nosso caminho. Parece que estão na nossa vida desde sempre e que mesmo depois dela permanecerão conosco. É tão rico compartilhar a jornada com elas que nos surpreende lembrar de que houve um tempo em que ainda não sabíamos que existiam. É até possível que tenhamos sentido saudade(ou falta) mesmo antes de conhecê-las. O que sentimos vibra além dos papéis, das afinidades, da roupa de gente que usam. Transcende a forma. Remete à essência. Toca o que a gente não vê. O que não passa. O que é.

Por elas nos sentimos capazes das belezas mais inéditas. Se estão felizes, é como se a festa fosse nossa. Se estão em perigo, o aperto é nosso também. Com elas, o coração da gente descansa. Nós nos sentimos em casa, descalços, vestidos de nós mesmos. O afeto flui com facilidade rara. Somos aceitos, amados, bem-vindos, quando o tempo é de sol e quando o tempo é de chuva. Na expressão das nossas virtudes e na revelação das nossas limitações. Com elas, experimentamos mais nitidamente a dádiva da troca nesse longo caminho de aprendizado do amor.

domingo, 9 de agosto de 2009

Pai




Hoje faz exatamente três meses que ele se foi, é o primeiro dia dos pais sem meu pai . Algumas lembranças são presentes valiosos demais para a gente se ocupar em tentar compreender porque de repente vêm à tona. São peças que nos trazem uma nova leitura do desenho do quebra-cabeça. São chaves capazes de abrir portas que dão acesso a varandas onde a gente se sente caminhando descalço, inspirando jardins, flagrando vaga-lumes com olhos de inocência.
Sempre que tomávamos uma decisão a sua frase era:
-É isso ai.
Sempre concordava com a decisão de todos!
Toda vez que eu ia á casa dele , na hora de eu ir embora, ele para se despedir, acenava-me com a mão, já que sua voz havia sido engolida pelo último derrame. Acompanhava-me até a sala com seus passos lentos e com muito esforço. Eu sabia que era uma forma de estender ao máximo o nosso encontro. Um delicado acordo tácito cumprido à risca durante todos aqueles meses de sua enfermidade.
Naquela manhã, pela primeira vez, o hábito foi quebrado. O corpo estava cansado demais para caminhar comigo , mal podia sustentá-lo. Quem sabe para driblar o desconforto causado pela nova circunstância, inventamos um outro jeito de afastamento: ao nos despedirmos, eu pedia para ele dizer meu nome, o que era um grande esforço!
Sua voz saia engasgada ;
_Wanda
Passei uma das últimas noites ao seu lado e praticamente não dormi, pois ele estava muito agitado e com respiração ofegante.
Parecia que ele é que tinha pena de mim, de ver o esforço que eu fazia para sustentá-lo ,seja para sentá-lo na cadeira de rodas ou deitá-lo na cama.
Dias depois, o meu pai já não estava mais naquela casa onde eu me habituei a encontrá-lo nos últimos anos.
Agora, meses mais tarde, ao me dar conta de que na vez mais recente em que o vi nós nos despedimos com um imenso olhar de ternura , o meu coração riu um riso novo, feito de gratidão e reverência à sabedoria que tece grande parte das belezas. Nada poderia ser mais fiel àquele amor tão lúdico que permeou as nossas vidas embrulhado para presente num papel com a cor do amor . Olhando em retrospectiva, percebo que, embora nem sempre tenhamos conseguido, também fazia parte do nosso acordo tácito a vontade de valorizar os momentos compartilhados como se fossem únicos. De saboreá-los como se fossem os últimos. Parece que lembrávamos que, às vezes, realmente são.
Nem sempre a saudade é tão generosa com a gente. Às vezes, ela fica apegada um bocado de tempo a recordações tristes, culpas, mágoas, arrependimentos por coisas que fizemos e por outras que achamos que poderíamos ter feito, mas não soubemos. Nem sempre a gente sabe, é a pura verdade, e a gente precisa se perdoar para seguir em frente. Para nos liberar e liberar o outro, porque a falta de perdão acaba sendo uma cela para dois. E já que o tempo não passa no coração, acho que é possível atualizar a nossa memória o tempo todo. Podemos ser generosos com nós mesmos. Buscar nos nossos arquivos o que existe lá de doçura, de graça, de amorosidade. Saborear as lembranças risonhas que também trazemos conosco. Utilizá-las como pontes que nos ligam a quem amamos quando a vida nos pede para inventar outros jeitos de encontro.
Ontem levei flores ao túmulo dele.Não rezei e nem chorei, porque senti que ele não estava lá, ele estava comigo, dentro do meu coração.


(A foto foi tirada uns meses antes dele falecer)

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Síndrome de Burnout



O ano passado, minha nora apresentou um trabalho para a seu mestrado em enfermagem, que tinha como tema principal a Sindrome de Bornout, como até então eu desconhecia o tema, penso que algumas pessoas ainda não sabem do que se trata, e desde então, passei a acompanhar trabalhos feitos com o assunto.
A síndrome de Burnout ,também chamada de síndrome do esgotamento profissional, foi assim denominada pelo psicanalista nova-iorquino, Freudenberger, após constatá-la em si mesmo, no início dos anos 70.


Sete entre cada dez trabalhadores brasileiros sofrem de estresses no trabalho e, entre eles, três desenvolvem a Síndorme de Burnout. O distúrbio foi diagnosticado nos Estados Unidos, em categorias em que se relacionar diretamente com algum público faz parte das atribuições como por exemplo: médicos,enfermeiros, professores, bancários, publicitários, funcionários de telemarketing, funcionários de RH, vendedores, jornalistas, policiais e tantos outros. Na década de 90, o problema apareceu em outros ramos de atividades.


Os especialistas explicam que ele se manifesta mais comumente em ambientes marcados por cobranças e tensões.

O termo Síndrome de Burnout resultou da junção de burn (queima) e out (exterior), caracterizando um tipo de estresse ocupacional, durante o qual a pessoa consome-se física e emocionalmente, resultando em exaustão e em um comportamento agressivo e irritadiço.

Ela é uma doença psicológica caracterizada pela manifestação inconsciente do esgotamento emocional. Tal esgotamento ocorre por causa de grandes esforços realizados no trabalho que fazem com que o profissional fique mais agressivo, irritado, desinteressado, desmotivado, frustrado, depressivo, angustiado e que se avalia negativamente.

A pessoa que apresenta tal síndrome, além de manifestar as sensações acima descritas, perde consideravelmente seu nível de rendimento e de responsabilidade para com as pessoas e para com a organização que faz parte. Também apresenta manifestações fisiológicas como cansaço, dores musculares, falta de apetite, insônia, frieza, dores de cabeça freqüente e dificuldades respiratórias.

A Síndrome de Burnout, que é sempre um 'problema' relativo ao mundo do trabalho, pode ser prevenida quando os agentes estressores no trabalho são identificados, modificados ou adaptados à necessidade do profissional, quando se prioriza as tarefas mais importantes no decorrer do dia, quando se estabelece laços pessoais e/ou profissionais dando-os importância, quando os horários diários não são sobrecarregados de tarefas, quando o profissional preocupa-se com sua saúde e quando em momentos de descontração assuntos relacionados ao trabalho não são mencionados.

Os enfermeiros, pelas características do seu trabalho, estão também predispostos a desenvolver burnout.Estes profissionais trabalham directamente e intensamente com pessoas em sofrimento. Particularmente os enfermeiros que trabalham em áreas como oncologia, muitas vezes se sentem esgotados pelo fato de continuamente darem muito de si próprios aos seus doentes e, em troca, pelas caracteristicas da doença, receberem muito pouco. Luís Sá (2006), num estudo realizado com 257 enfermeiros de oncologia, verificou que estes profissionais se encontravam mais desgastados emocionalmente quando comparados com enfermeiros de outras áreas. Um dos principais factores encontrados da origem do burnout, foi a falta de controle sobre o trabalho Faz-se necessário, ainda, acrescentar que nos territórios da Educação, a Síndrome de Burnout adquire aspectos mais complexos pelo fato de agregar valores oriundos dos sistemas de educação que se alimentam de perspectivas utópicas que interferem, diretamente, no trabalho do professor. Currículos, diretrizes, orientações e demais processos burocráticos acabam por disseminar discussões que sempre acabam acumulando estresse nos processos de ensino e apredizagem e, consequentemente, envolve o professor e sua práxis. A sociedade, por sua vez transfere responsabilidades extras ao professor, sobrecarregando-o e inculcando-lhe papéis que não serão desempenhados com a competência necessária.


É bom lembrar que o distúrbio pode afetar executivos e donas de casa também. Em comum, os candidatos à Síndrome apresentam uma personalidade com maior risco para desenvolver Burnout: são pessoas excessivamente críticas, muito exigentes consigo mesmas e com os outros e que têm maior dificuldade para lidar com situações difíceis.

Além disso, pode-se destacar algumas das características individuais que podem incentivar o estabelecimento da Síndrome: idealismo elevado, excesso de dedicação, alta motivação, perfeccionismo, rigidez. Em geral, são indivíduos que gostam e se envolvem com o que fazem, não medindo esforços para atingir seus próprios objetivos e os da instituição em que atuam. De certa forma, é tudo o que as organizações esperam de um bom profissional. Ou seja, os ambientes corporativos estimulam, de alguma maneira, esse tipo de comportamento entre os profissionais, criando condições que podem predispor ao adoecimento e, na seqüência direta, em licenças médicas e eventuais afastamentos por longos períodos.

Sintomas Emocionais: avaliação negativa do desempenho profissional, esgotamento, fracasso, impotência, baixa auto-estima, complexo de inferioridade, sentimento de injustiça, insegurança, ansiedade;

Manifestações físicas, transtornos psicossomáticos: fadiga crônica, dores de cabeça, insônia, úlceras digestivas, hipertensão arterial, taquicardia, arritmias, perda de peso, dores musculares e de coluna, alergias, lapsos de memória.

Alterações Comportamentais: maior consumo de café, álcool e remédios, ineficácia (faltas no trabalho, baixo rendimento pessoal), cinismo, impaciência, sentimento de onipotência e também de impotência, incapacidade de concentração, depressão, baixa tolerância à frustração, ímpeto de abandonar o trabalho, pessimismo, irritação extrema,, antipatia, alienação, quando o trabalhador fica quieto em seu canto, alheio às outras pessoas.procrastinação, comportamento paranóico (tentativa de suicídio) e/ou agressividade.

O tratamento para a doença é variável, pois podem ser iniciados a partir de fitoterápicos, fármacos, intervenções psicossociais, afastamento profissional e readaptações. É importante ressaltar que a Síndrome de Burnout é diferente da depressão, pois a síndrome está diretamente ligada com situações ligadas ao trabalho, enquanto a depressão está ligada a situações pessoais relacionadas com a vida da pessoa.


Pesquisa feita na Wikipédia e blogs de psicologia.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009





Se fosse feita uma enquete nas ruas com a pergunta: "Você tem a vida que pediu a Deus?", a maioria responderia com um sonoro "quá quá quá".
Lógico que alguém desempregado, doente ou que tenha sido vítima de uma tragédia pessoal não estará muito entusiasmado. Mas mesmo os que teriam motivos para estar (aqueles que possuem emprego, saúde e alguma relação afetiva, que é considerada a tríade da felicidade) também não têm achado muita graça na vida.
O mundo é habitado por pessoas frustradas com o próprio trabalho, pessoas que não estão satisfeitas com o relacionamento que construíram, pessoas saudosas de velhos amores, pessoas que gostariam de estar morando em outro lugar, pessoas que se julgam injustiçadas pelo destino, pessoas que não agüentam mais viver com o dinheiro contado, pessoas que gostariam de ter uma vida social mais agitada, pessoas que prefeririam ter um corpo mais em forma, enfim, os exemplos se amontoam.
Se formos espiar pelo buraco da fechadura de cada um, descobriremos que estão todos relativamente bem, mas poderiam estar melhor.
Por que não estão?,
Ora, a culpa é do governo, do papa, da sociedade, do capitalismo, da mídia, do inferno zodiacal, dos carboidratos, dos hormônios e demais bodes expiatórios dos nossos infernizantes dilemas. A culpa é de tudo e de todos, menos nossa.
Um amigo meu, psiquiatra, costuma dizer uma frase atordoante. Ele acredita que todas as pessoas possuem a vida que desejam. Podem até não estar satisfeitas, mas vivem exatamente do jeito que acham que devem. Ninguém as força a nada, nem o governo, nem o Papa, nem a mídia. A gente tem a vida que pediu, sim.
Se ela não está boa, quem nos impede de buscar outras opções?Quase subo pelas paredes quando entro neste papo com ele porque respeito muito as fraquezas humanas. Sei como é difícil interromper uma trajetória de anos e arriscar-se no desconhecido. Reconheço os diversos fatores - família, amigos, opinião alheia - que nos conduzem ao acomodamento.
Por outro lado, sei que este meu amigo está certo. Somos os roteiristas da nossa própria história, podemos dar o final que quisermos para nossas cenas. Mas temos que querer de verdade. Querer pra valer. É este o esforço que nos falta.
A mulher que diz que adoraria se separar mas não o faz por causa dos filhos, no fundo não quer se separar. O homem que diz que adoraria ganhar a vida em outra atividade, mas já não é jovem para experimentar, no fundo não quer tentar mais nada.
É lá no fundo que estão as razões verdadeiras que levam as pessoas a mudarem ou a manterem as coisas como estão. É lá no fundo que os desejos e as necessidades se confrontam. Em vez de nos queixarmos, ganharíamos mais se nadássemos até lá embaixo para trazer a verdade à tona. E então deixar de sofrer.



Martha Medeiros

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Oportunidade preciosa




Um dia desses, bem pertinho daqui, enviei um e-mail para uma pessoa querida com a intenção de parabenizá-la pelo seu aniversário. Escrevi na mensagem que, talvez um pouco mais do que nos outros dias, eu celebrava, no coração, a oportunidade preciosa do seu nascimento, e que também para a minha vida a vida dela fazia uma diferença linda no mundo. Escrevi sem esquecer que a vida, a nossa e a alheia, pode ser comemorada a todo instante, não importa a data que o calendário diga nem a hora que os ponteiros marquem. Não só pode como deve. O que acontece é que muitas vezes no aniversário, por mero costume, a gente costuma criar um espaço maior na correria para festejar o que, na verdade, merece ser festejado diariamente, no sentimento.

Tem gente que entra na nossa vida de forma providencial e se encaixa naquela história que gosto de imaginar: surpresas que o destino embrulha pra presente e nos envia no anonimato. Surpresas que só sabemos de onde vêm porque chegam com o cheiro de flores no papel. Acho maravilhoso perceber o quanto algumas vidas interagem com a nossa de um jeito tão mágico e bonito. Os milagres existem para quem tem olhos que sabem ver a sabedoria e a ludicidade amorosa próprias do que é divino. Do que transcende. Do que escapole da nossa lógica tantas vezes sem coração. Todo encontro que verdadeiramente nos toca é uma espécie de milagre num mundo de bilhões de seres humanos. Algumas pessoas a gente nem imaginava que existiam, mas, meu Deus, que agrado bom é para a alma descobrir que vivem. Que estão por aqui conosco. Pessoas que fazem muita diferença na nossa jornada, com as quais trocamos figurinhas raras para o nosso álbum.

Em nosso caminho, surgem e desaparecem pessoas, mas todas elas deixam um pouco de si e carregam um pouco de nós.Há os que carregam muito mas não há os que não deixam nada.

Poetas

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Por que pagamos impostos?




Mesmo estando entre os paises que mais arrecadam impostos no mundo, o Brasil não oferece retorno dos impostos pagos porque com o PIB menor que outros campeões de impostos, o Brasil tem que sustentar muito mais gente.
Impostos são valores pagos, realizados em moeda nacional (no caso do Brasil em reais), por pessoas físicas e jurídicas (empresas). O valor é arrecadado pelo Estado (governos municipal, estadual e federal) e servem para custear os gastos públicos com saúde, segurança, educação, transporte, cultura, pagamentos de salários de funcionários públicos, etc. O dinheiro arrecadado com impostos também é usado para investimentos em obras públicas (hospitais, rodovias, hidrelétricas, portos, universidades, etc.).
O Brasil tem uma das cargas tributárias mais elevadas do mundo. Atualmente, ela corresponde a, aproximadamente, 37% do PIB (Produto Interno Bruto).
Já sabemos para que recolhemos impostos, então vamos observar:
Saúde:Você já foi atendido pelo SUS(Sistema Único de Saúde)?Se foi ,sabe as condições precárias dos hospitais e postos de saúde.Se não foi, além de pagar imposto para ter saúde, você ainda paga um plano médico particular.
Segurança: Nunca foi assaltado?A cidade onde você mora é segura?Não tem tráfico de drogas?Se respondeu não, então você não mora no Brasil.Você para ter mais segurança, paga uma companhia de segurança, ou seja :um guarda noturno, vigilância na firma em que trabalha, no Banco que tem conta, no condomínio onde mora.Além de pagar imposto pela segurança, você ainda paga(mesmo que indiretamente) por uma segurança particular.
Educação: Seus filhos estão em escola pública?Sim? O ensino é péssimo?Os professores são mal pagos e mal treinados?As instalações te fazem lembrar uma escola ou ruínas de guerra?Se você paga escola particular para os filhos, está pagando por educação duas vezes, quando paga imposto e quando paga a escola.
Transporte: O transporte coletivo é o ideal?Nas hora do rush, os ônibus e metrôs oferecem qualidade no transporte?Você tem carro?AH! coitado! tem pagar IPVA e pagar imposto para ter transporte e ainda fica no engarrafamento do trânsito.Mais uma vez você está pagando duas vezes.
Cultura: Educação e cultura estão relacionados, quem não tem uma, não tem a outra.O povo não vai exigir uma coisa que não conhece.Ainda bem que somos um povo alegre e moramos na terra do Carnaval.A não ser em grandes cidades ,no resto do país não há bibliotecas, teatros, museus, enfim tudo o que nos lembra cultura.Pagamos se quisermos ter acesso, portanto mais uma vez, pagamos duas vezes.
Dizem que funcionário público ganha pouco, talvez por isso o serviço na maioria das Repartições Públicas é de péssima qualidade, mas ...somos nós que pagamos!
Estradas? Essas também pagamos duas vezes, quando recolhemos impostos e quando pagamos o pedágio!
Temos impostos de primeiro mundo e serviços de terceiro mundo.
Ou seja,os impostos realmente vão para sustentar a diferença do PIB e a corrupção que cresce solta no país!
Mas não tem importância, o ano que vem tem Copa do Mundo de Futebol! Eleições? Ah! Eleições é o ano que vem, mas não muda nada!

Wanda Wenceslau

domingo, 2 de agosto de 2009

Há dias




Acordei assim meio desorientada, com vontade de não fazer coisa nenhuma,como naquela música "Quero uma rede preguiçosa prá deitar, em minha volta sinfonia de pardais, cantando para a majestade o sabiá."
Acontece que nem tenho rede, nem varanda, e passarinho aqui na cidade é coisa rara.Falta também o tempo!Tanta gente em volta de mim precisando de atenção :marido, mãe, filhos e neta.Faz muito tempo que nem sei o que é ser eu mesma , sem estar dividida.Há dias em que me esqueço que tenho uma vida. E que minha vida é minha. Que apesar de não ter pedido para nascer e blá-blá-blá, eu estou aqui e minha presença no planeta é legítima. Eu tenho uma vida, ela é minha, estou viva e posso fazer dela o que eu bem entender. Posso ir ou ficar, trabalhar ou dormir, fazer ou deixar de fazer meus afazeres. Posso ser autônoma ou empregada, posso ser vegetariana, budista e torcer pro time que eu bem entender
Porque sou uma pessoa, tenho direitos. Tenho acessos, tenho passos. Pernas que andam e um corpo que funciona "quase" em perfeito estado.Posso responder perguntas, contestar colocações, posso me calar. Tenho uma cabeça que pensa, conhecimento repassado e recolhido.Eu poderia traduzir a letra inteira daquela música do Musical "Hair" que tanto amo, I got Life e ficar horas discorrendo sobre tudo isso.
Talvez eu devesse. Porque os dias passam, julho acabou e 2009 está em direção ao fim, chamando o final da primeira década do século XXI.
E a gente esquece que é DONA, DONO da própria vida. E que se, amanhã, você decidir fazer um curso de aramaico, raspar careca e começar a correr, não é da conta de ninguém. Ninguém. Nem mãe, pai, irmã, mulher, marido,chefe, vizinho.
Você vai vivendo conforme os parâmetros da sociedade e vai se transformando, vai envelhecendo e ficando chata!Vai se apequenando, se acanhando e, como ovelha, vai obedecendo, obedecendo, até perder a personalidade . Um belo dia, como no livro do Leonardo Boff, você que nasceu águia percebe que virou uma galinha tonta. Tonta e obediente. Sem energia para contestar, a gente vira um cavalinho bobo de carrossel, um passarinho de relógio cuco que de hora em hora sai pela portinha por breves segundos e volta para seu ostracismo.
Ainda bem que posso escrever o que sinto!Se não gostou do meu desabafo, vai gostar do vídeo.

http://www.youtube.com/watch?v=-1LRD3DtFAo