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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Natal???




Estamos em clima de Natal.
Como eu sei?Não, não é pelo tumulto das lojas e das compras de enfeites e adereços, nem mesmo pela movimentação dos sorteios do amigo Secreto ou Oculto, nada disso. Este ano a proximidade do Natal chegou com um  baita susto e com aquelas gafes e micos que me são peculiar.
No domingo à noite eu estava lendo os meus e-mails quando começou uma ventania,eu fui fechar a janela.
Ao levantar os olhos para alcançar o trinco,vi uma cena  que me deixou estarrecida. Um homem um tanto gordinho tentando pular a janela da casa do vizinho.Esfreguei os olhos e me perguntei:
_ Será que vi direito? Com certeza vi! Lá estava ele talvez encontrando alguma dificuldade para pular a janela por causa da silhueta  fora de forma.
Corri logo para perto do meu marido e meio esbaforida fui dizendo.
_Tem ladrão na casa do Marcelo!
Meu marido  assustado, já ia se dirigindo ao portão quando eu completei:
_Ele está tentando entrar pela janela, só vejo meio corpo para fora.
Meu marido voltou, sentou-se no lugar que estava antes,morrendo de rir
(ele já havia visto).
Sem entender nada eu abro a cortina da sala e olho .Lá está a figura! De calças vermelhas e botas pretas, na mesma posição em que eu o avistara pela primeira vez.
Só então percebi que era um boneco em tamanho natural, imitando um Papai Noel a entrar na casa.
Começo a rir também e comento:
_O que há com as árvores de Natal e as luzinhas piscantes?
Só então fico apreciando a criatividade e a imaginação.
Não é que foi uma boa idéia?
Tem também  o Papai Noel (Pai Natal como se diz lá em Portugal), que sobe uma escada ,o povo pendura perto da janela,mas confesso que desse tamanho natural eu ainda não havia visto.
Também preciso entar no clima de Natal, quem sabe eu arrume um trenó para esse Papai Noel fugir depois que entregar os presentes?
Tá valendo!
Ho!Ho!Ho! Feliz Natal!




Wanda Wenceslau

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Fases




Em uma tarde de outono você lembra-se de uma outra tarde lá na sua infância. Você fazendo o que gostava. Por mais que você tente ser racional aquela cena te induz a entender aquele momento como a essência da sua vida.
Já uma lembrança de verão traz emoções das quais pareciam mais fortes quando você era jovem. Lembrando um amor, você respira fundo e acredita que viveu da maneira correta, ou por mais que volte no tempo, iria deixar tudo como foi.
As flores da primavera tentavam te consolar sobre aquela perda. Não sabe onde, mas um dia você acordou e sua vida não estava mais lá. Alguém roubou o motivo pelo qual seu organismo lutava por mais e mais sentimentos.
E nesta fria noite de inverno você, sentado ao lado da própria lápide, pensa se foi capaz de apenas viver. Sabe que não sabe se viveu da maneira certa e já se conformou que não há como saber. As preocupações de diversos gêneros que te atacaram quando vivo, hoje só permeiam as faculdades responsáveis pela lembrança.
Você não quer perder toda a sua vida, porque não viveria diferente, porque até onde ainda sabe, a oportunidade foi única.


Wanda Wenceslau


"
A velocidade e direção de nossos caminhos pela vida são de acordo com nossa idade.
Nós corremos precipitadamente pela infância, sem nunca olhar pra trás.
Esperando que acabe o mais rápido possível.
Enquanto envelhecemos, ocasionalmente diminuímos o bastante pra observar ao redor e apreciar certos momentos. É uma clara demonstração de crescimento.
É só depois dos 70 anos, quando seu ritmo está lento, e a longa corrida está próxima de acabar que gastamos a maior parte do nosso tempo olhando para trás e nos perguntamos porque estávamos sempre com tanta pressa.

(Pensamento extraído do Seriado Everwood- Uma segunda chance)

"



quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Voltando





Amigos,andei ausente por motivos de doença na família.
  Estive  em um momento delicado da minha vida,
cuidando da minha mãe doente, de minha filha que operou o tornozelo e não podia andar,
ajudando a olhar minha neta , cuidar da casa , compromissos diversos.
Este é o motivo de meu afastamento. Porém como não há mal
que perdure, espero voltar aos poucos ao convivio de meus amigos e seguidores,
desta forma, continuar postando e me comunicando
com todos vocês!

Um grande abraço,

Wanda

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Amigo de si mesmo.




Em seu recém-lançado livro Quem Pensas Tu que Eu Sou?, o psicanalista Abrão Slavutsky reflete sobre a necessidade de conquistar o reconhecimento alheio para que possamos desenvolver nossa autoestima. Mas como sermos percebidos generosamente pelo olhar dos outros? Os ensaios que compõem o livro percorrem vários caminhos para encontrar essa resposta, em capítulos com títulos instigantes como Se o Cigarro de García Márquez Falasse, Somos Todos Estranhos ou A Crueldade é Humana. Mas já no prólogo o autor oferece a primeira pílula de sabedoria. Ele reproduz uma questão levantada e respondida pelo filósofo Sêneca: "Perguntas-me qual foi meu maior progresso? Comecei a ser amigo de mim mesmo".

Como sempre, nosso bem-estar emocional é alcançado com soluções simples, mas poucos levam isso em conta, já que a simplicidade nunca teve muito cartaz entre os que apreciam uma complicaçãozinha. Acreditando que a vida é mais rica no conflito, acabam dispensando esse pó de pirilimpimpim.

Para ser amigo de si mesmo é preciso estar atento a algumas condições do espírito. A primeira aliada da camaradagem é a humildade. Jamais seremos amigos de nós mesmos se continuarmos a interpretar o papel de Hércules ou de qualquer super-herói invencível. Encare-se no espelho e pergunte: quem eu penso que sou? E chore, porque você é fraco, erra, se engana, explode, faz bobagem. E aí enxugue as lágrimas e perdoe-se, que é o que bons amigos fazem: perdoam.

Ser amigo de si mesmo passa também pelo bom humor. Como ainda há quem não entenda que sem humor não existe chance de sobrevivência? Já martelei muito nesse assunto, então vou usar as palavras de Abrão Slavutsky: "Para atingir a verdade, é preciso superar a seriedade da certeza". É uma frase genial. O bem-humorado respeita as certezas, mas as transcende. Só assim o sujeito passa a se divertir com o imponderável da vida e a tolerar suas dificuldades.

Amigar-se consigo também passa pelo que muitos chamam de egoísmo, mas será? Se você faz algo de bom para si próprio estará automaticamente fazendo mal para os outros? Ora. Faça o bem para si e acredite: ninguém vai se chatear com isso. Negue-se a participar de coisas em que não acredita ou que simplesmente o aborrecem. Presenteie-se com boa música, bons livros e boas conversas. Não troque sua paz por encenação. Não faça nada que o desagrade só para agradar aos outros. Mas seja gentil e educado, isso reforça laços, está incluído no projeto "ser amigo de si mesmo".

Por fim, pare de pensar. É o melhor conselho que um amigo pode dar a outro: pare de fazer fantasias, sentir-se perseguido, neurotizar relações, comprar briga por besteira, maximizar pequenas chatices, estender discussões, buscar no passado as justificativas para ser do jeito que é, fazendo a linha "sou rebelde porque o mundo quis assim". Sem essa. O mundo nem estava prestando atenção em você, acorde. Salve-se dos seus traumas de infância. Quem não consegue sozinho, deve acudir-se com um terapeuta. Só não pode esquecer: sem amizade por si próprio, nunca haverá progresso possível, como bem escreveu Sêneca cerca de 2.000 anos atrás. Permanecerá enredado em suas próprias angústias e sendo nada menos que seu pior inimigo.
Martha Medeiros:

De volta!



Olá!
Demorei mais do que esperava. Não estive este tempo todo em viagem  de férias, infelizmente.
Minha filha operou o tornozelo e fiquei dando assistência à ela e a minha neta. É sempre bom um colinho de mãe.Não é???

terça-feira, 6 de julho de 2010

sábado, 19 de junho de 2010

Saramago

Nada a dizer sobre Saramago, ele fala de si!

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM679826-7823-JOSE+SARAMAGO+SEGUNDA+PARTE,00.html

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Futebol









Muita gente anda reclamando que o técnico da Seleção Brasileira de Futebol , Carlos Caetano Bledorn Verri, mais conhecido como Dunga,dizendo que ele  só convocou jogadores que jogam fora do Brasil para formar a Seleção Brasileira  que joga este ano na Copa do Mundo de Futebol.
Qual é o espanto? Se os bons jogadores estão mesmo jogando fora do Brasil? Aqui o menino mal aparece em algumas partidas do sub-17 já  está contratado por algum time europeu, japonês, árabe, etc...
Qual é o espanto que na nossa seleção só tem jogadores que atuam em times estrangeiros? Com a pobreza e as diferenças sociais é o único jeito de alguns meninos terem sucesso na vida. Os que não dão certo, vão amargar um serviço braçal ou pior, enveredar pelo caminho do crime e das drogas.
Aquele futebol arte onde não se levava em conta o dinheiro e só se jogava por talento ou prazer, já não existe mais. Desde Pelé, desde que ele ficou rico e conhecido com o futebol , a garotada só pensa em se dar bem jogando bola. É o caminho mais fácil e mais rendoso.
Desde então o negócio futebolístico cresceu e se diversificou, mas o futebol brasileiro encolheu a olhos vistos. Os campos de várzea já não existem. Viraram condomínios, repartições públicas, avenidas, praças, etc... Os clubes têm o mesmo nome, invocam sua tradição, mas só tem jogadores medianos e em fim de carreira. Quando desponta algum garoto com jeito de craque não demora nada  para acabar deliciando a platéia européia.
No tempo dos gladiadores, a Gália, a Espanha e a Trácia, forneciam os gladiadores mais hábeis para digladiarem no Coliseu para o exigente público romano.Parece que as coisas não mudaram tanto assim. Nossos meninos também são mandados aos campos  do exterior para encherem os olhos dos admiradores do futebol.
Se este fosse um pais mais justo onde todos tivessem mesmo direito a saúde, educação e lazer, como reza a constituição, não seria necessário sair do país para ter sucesso e dinheiro
As pessoas dizem que a seleção e a Copa do Mundo  já não têm mais graça; De fato. Antes, mesmo sendo uma seleção brasileira, os torcedores brasileiros discutiam entre si, dizendo que o melhor goleiro da seleção pertencia ao seu time. Outro dizia que o melhor zagueiro convocado era do seu. Assim inflamavam-se  torcidas à parte  querendo que o jogador do seu time aparecesse mais na Copa.Agora temos uma seleção de jogadores que jogam no estrangeiro.
Eu tenho certeza que mesmo vivendo fora do Brasil, quando eles entram em campo e ouvem o Hino Nacional Brasileiro,sabem, sentem, que precisam vencer essa luta.
Ouvi a Gisele Bündchen no programa do Faustão, domingo passado, dizer ao povo brasileiro que ame esta Terra, que a valorizem-- e que se valorizem, porque não existe no mundo lugar melhor que este. Falou da natureza,da biodiversidade, da alegria, da liberdade. Emocionou-se, chorou. Talvez ela também seja a vitima da falta de perspectiva de poder viver na terra onde nasceu.Bonita, talentosa, cheia de oportunidades lá fora. É ...não se pode ter tudo, mas o amor pela terra natal sempre fala alto. Por isso não importa se os jogadores são  do Milan ou do Real Madrid, importa sim é que estão vestindo a camisa da seleção. 
Pra frente Brasil.
Repararam no Blog verde amarelo????

Wanda Wenceslau

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Sonhos diversos.







O médico do interior já tinha perdido a esperança de curá-la, e sugeriu que ela viesse à capital se tratar. Quem sabe? Era uma dessas doenças insidiosas e gravíssimas, cujo nome éramos até proibidos de pronunciar. Aquelas doenças malditas, que corroem a pessoa por dentro, debilitando-a e causando uma fraqueza sem trégua. Era quase a morte, conforme parecia.
A família se cotizou, juntaram algum dinheiro e a menina, escorada na mãe, encetou a viagem até a cidade de São Paulo.
Aqui chegando, foram pedir abrigo na nossa casa, num bairrinho da periferia. O tratamento ia ser longo.
 
Naquele tempo, a hospitalidade era regra, e não exceção. Todo mundo se unia diante das adversidades: doença, morte, funeral, eram acontecimentos familiares, que ocasionavam adaptações na vida doméstica. Ninguém ficava em hotel, ninguém morria em hospital, tendo família. Era um colchão a mais que aparecia, eram cobertores tirados da arca, pratos que se somavam à louça da casa, tudo em silêncio.

A janta foi uma festa: fazia tanto tempo que a gente não se via, tinha tanta coisa para contar, tanta coisa para perguntar sobre os que ficaram na roça. Quem casou, quem teve filho, quem morreu. Eu brincava com a minha prima, feliz da vida.
A conversa se estendeu até perto das onze horas, quando
alguém lembrou que a menina devia estar cansada, coitadinha, porque já era tarde, onde já se viu. Na segunda-feira bem cedo ela ia começar o tratamento. Melhor apagar a luz, melhor dormir.

- Dorme com Deus pai, dorme com Deus mãe. Dorme com Deus tia, dorme com Deus, prima. Amém, amém, amém, dorme com Deus você também...


Elas se instalaram numa cama de solteiro, ao lado da minha, deitando uma para os pés e a outra para a cabeceira. Cadê dormir, entretanto? Na semi-obscuridade do quarto, eu fiquei olhando para a minha prima e escutando a sua respiraçãozinha difícil. Com os olhinhos arregalados, ela observava tudo ao redor, em silêncio: a casa estranha, os desenhos no teto, a Nossa Senhora na folhinha pendurada na parede. Tinha medo.
Então eu lhe estendi o meu gatinho de pelúcia, o Tango. Velho, amarfanhado, a pelagem marrom já raleando aqui e ali, um olho faltando, Tango era o meu refúgio, especialmente nas noites como aquela, em que o sono não vinha. E que as sombras das árvores dançavam lá fora, desenhando fantasmas no vitrô. Toma, eu falei, entregando-lhe o gatinho estropiado. Pode segurar o Tango, se você quiser. E a menina sorriu no escuro, aquele sorrisinho tímido e bonito, de cortar o coração.
Dormimos: eu sonhei os sonhos normais de gente sadia, mas ela deve ter sonhado com a cura, porque o longo tratamento finalmente a curou.



Wanda Wenceslau


segunda-feira, 31 de maio de 2010

Tente um Monet




Tente um Monet

Depois de sofrer feito o cão por encarar tudo na base do oito ou oitenta, fiz um pacto comigo mesma: jamais levaria coisa alguma a ferro e fogo porque nada importa tanto. Absolutamente nada é imprescindível. Nem ninguém. Esse não é um discurso de auto-suficiência, pelo contrário, é uma reflexão de alguém que aprendeu na porrada (ou melhor, no choro) que só relativizando, tornando a existência e o coração mais leves, é que se pode ser feliz e, então, ser feliz com alguém. Pare de arrastar correntes, levar tudo tão a sério: a única coisa que você vai conseguir é uma úlcera. Cuide de quem ama mas não faça disso o objetivo da sua vida porque ficará, inevitavelmente, frustrado quando não tiver deles o que deu pra eles. Ou não tiver deles o que você ACHA que eles deveriam devolver. E será bem feito: você fez o que quis, porque quis, entãonão venha reclamar o troféu. Não existe prêmio para quem doa amor. Por isso, distanciar-se deveria ser uma tarefa cotidiana: evitaria que fôssemos sugados pelo redemoinho que sempre começa logo ali nos nossos pés, mas estamos ocupados demais pra ver. Evitaria que exercêssemos de forma tão eficaz, e perigosamente despercebida, nossos piores defeitos.

Quando algo começar a te enlouquecer, enfernizar ou surtar, use a técnica dos grandes admiradores de arte: recue diante da tela, mude de ângulo em relação a ela, observe as cores, os traços e os detalhes que, na correria, sempre passam despercebidos. Então notará que ela é muito mais do que aquele ponto preto que ficava, insistente, diante dos seus olhos.

Ser feliz, no final das contas, não é questão de sorte ou azar. É questão de perspectiva.
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(Ailin Aleixo)

terça-feira, 25 de maio de 2010

Renovação das águas.



Jogo a minha rede no mar da vida e às vezes, quando a recolho, descubro que ela retorna vazia. Não há como não me entristecer e não há como desistir. Deixo a lágrima correr, vinda das ondas que me renovam, por dentro, em silêncio: dor que não verte, envenena. O coração respingado, arrumo, como posso, os meus sentimentos. Passo a limpo os meus sonhos. Ajeito, da melhor forma que sei, a força que me move. Guardo a minha rede e deixo o dia dormir.

Com toda a tristeza pelas redes que voltam vazias, sou corajosa o bastante pra não me acostumar com essa ideia. Se gente não fosse feita pra ser feliz, Deus não teria caprichado tanto nos detalhes. Perseverança não é somente acreditar na própria rede. Perseverança é não deixar de crer na capacidade de renovação das águas.

Hoje, o dia pode não ter sido bom, mas amanhã será outro mar. E eu estarei lá na beira da praia de novo.

Ana Jácomo

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Quem poderá julgar?



Terezinha era uma moça que havia ficado órfã quando tinha menos de sete anos de idade. Foi criada num orfanato da Igreja presbiteriana. Saiu  de lá quando completou dezoito anos e foi trabalhar como empregada doméstica  na casa do diretor do orfanato.
Não era bela, mas tinha olhos grandes e negros, pele bronzeada, cabelos encaracolados e um sorriso tímido.  Era magra e de estatura média.
Quando fazia alguns meses que ela estava trabalhando na casa, a patroa pediu que ela fosse comprar pão. Era a primeira vez que a garota saia à rua sozinha. Entrou na padaria, pediu  os pães e ficou toda corada de vergonha quando o balconista lhe dirigiu um elogio.
-Se eu fosse o patrão, não deixava moça bonita pagar o pão, levava de graça.
Terezinha foi ao caixa, pagou e saiu de lá com o coração aos pulos. Não deixou de pensar no rapaz que a elogiara, em nenhum só segundo do resto do dia e da noite. Não via a hora que amanhecesse o dia e a patroa a mandasse de novo à  padaria.Queria rever aquele moreno  de olhos negros cheios de mistério.  
Nessa manhã, procurou colocar sua melhor roupa e soltou os longos cabelos castanhos, até pintou levemente os olhos e a passou um batom discreto. Sua patroa, mulher religiosa e pudica, não reparou nada quando a mandou novamente a padaria para comprar o pão e desta vez também o leite.
Terezinha foi com as pernas meio tremulas e respirava com dificuldade parecendo que o quarteirão que a separava da padaria se tornara numa longa estrada.
Entrou e deu de cara com o sorridente balconista  que  mais uma vez foi deitando elogios e perguntando o seu nome.
Ela respondeu com um fio de voz:
-Terezinha,
-Muito prazer Terezinha! Eu me chamo Nestor, aqui todos me conhecem como Nestor do Boteco.
Foi explicando:
_É porque antes eu trabalhava num barzinho aqui perto.
Nestor, um homem  já vivido, percebeu logo o acanhamento e o embaraço da moça diante dele e começou fazer  perguntas, onde ela morava e o que fazia e até se ela tinha namorado.
Terezinha respondeu tudo com poucas palavras e saiu em seguida, sob o olhar severo do dono da padaria que não estava gostando nada daquele trelelê na hora do serviço de seu funcionário.
No dia seguinte a cena se repetiu, só que dessa vez, Nestor perguntou a moça se podia sair logo mais à noite com ele para dar umas voltas e conhecer melhor o bairro.
Terezinha respondeu que iria perguntar a patroa, pois ela nada conhecia da vida fora do orfanato.
A patroa ficou cismada e disse que queria que Nestor viesse falar com ela.
Na hora do almoço, Nestor apareceu para saber a resposta de Terezinha e a patroa mandou que ele entrasse e foi logo dizendo quais eram as regras da casa.
_Conversa só aqui no portão, nada de sair à noite, porque a garota  é inexperiente e não sabe das maldades do mundo.
Aquilo deixou Nestor de tal forma interessado pela  moça que não demorou seis meses de namoro no portão, ele já havia mobiliado um barraco na favela da Lapinha para se casar com ela.
A patroa não gostou nada da idéia, pensava em coisa melhor para a sua protegida, mas Terezinha era maior de idade e não havia quem a fizesse desistir de casar com Nestor.
Casaram-se no civil e no religioso e lá se foram para a Lapinha, morar entre traficantes e bandidos de todas as espécies, mas também , lugar de muita gente humilde e honesta.
No primeiro mês de casamento já deu para perceber porque  Nestor tinha a alcunha de Nestor do Boteco. Ele saia do serviço e ia direto para o boteco onde enchia a cara e chegava completamente bêbado em casa.
Terezinha começou a não gostar do comportamento do marido e a chamar-lhe a atenção . Nestor não deixou por menos, avançou na mulher e começou a bater nela. Terezinha fez um escândalo, gritou, pediu socorro a vizinhança mas, nada adiantou, naquela noite foi dormir toda cheia de arranhões e hematomas.
No dia seguinte, já sóbrio, Nestor pediu  perdão e disse que nunca mais iria aproximar-se do bar, mas, qual o que, toda noite voltava para casa bêbado, e agora , mesmo que a mulher não dissesse nada, já ia agredindo-a, ela se safava como podia sempre pedindo para que ele não lhe batesse.
Cansada da vida que estava levando, Terezinha foi à casa da sua ex-patroa  contar  o que estava ocorrendo, mas infelizmente, a patroa adoecera gravemente e ficava a maior parte do tempo na cama, não deu muita importância as queixas as ex- empregada que  voltou para casa  sem ter mais a quem recorrer.
Aquela noite, Nestor achou que bateu nela por um motivo justo. Onde se viu ir reclamar dele à patroa?
Terezinha fez  queixa na  policia mas de nada adiantou, no outro dia ,Nestor já estava fora da cadeia e com mais raiva dela.
Várias vezes Terezinha abandonou a casa e tentou livrar-se do marido carrasco, indo morar na casa de pessoas que lhe arrumavam emprego de doméstica, mas Nestor descobria e ia buscá-la , fazendo o  maior escândalo.
Resignada, achando que a sua tortura não teria mais solução, queixava-se a vizinha Sonia.
Ficaram amigas e Sonia começou a contar a ela quem eram os moradores da favela e que tinha um tal Paulão que era o terror dos moradores. Era traficante, mau caráter, que mandava “apagar” qualquer pessoa que tentasse prejudicá-lo.
Terezinha ouvia o que Sonia contava e foi par casa com uma grande idéia na cabeça.
Começou a por idéia em prática. Toda vez que Nestor chegava bêbado e batia nela, ela apanhava em silêncio e quando ele adormecia sob o efeito da bebida ,ela se punha a gritar e a derrubar móveis  como se tivesse apanhando e dizia:
_Nestor não me bata, eu juro que não vou contar pra ninguém que você entregou o Paulão a policia.
E implorava:
_Por favor, Nestor não me  bata, eu  juro que eu não conto pra ninguém que você entregou o Paulão à policia.
E repetia e repetia.
Porém , ela mesma foi à delegacia delatar o Paulão  que acabou ficando preso para averiguação.
Durante três dias em que o Nestor chegou bêbado, foi a mesma encenação.
Como não poderia deixar de ser, o assunto chegou aos ouvidos de Paulão.
Ele logo ligou a sua prisão temporária a briga do casal.
_Então o Nestor me delatou, ele vai ver quando eu sair daqui.
Numa noite de sábado Nestor vinha chegando bêbado como sempre e o Paulão o esperava para acerto de contas.
Foi um tiro certeiro  na cabeça de Nestor.
Terezinha mal esperou o marido ser enterrado, vendeu o barraco e tudo mais que possuia para conseguir dinheiro e foi logo arrumando a sua trouxa e sumiu no mundo, dizem que mudou até de país.
Sumir ela sumiu, mas não sem antes contar toda esta história a Sonia, irmã da minha empregada ,que acabou contando a história para mim, a qual repasso a vocês.
Terezinha estava certa ou errada? Quem poderá julgar? Eu não quero ser juíza dessa história. Julgue-a!


Wanda Wenceslau

terça-feira, 18 de maio de 2010

Quando é preciso dizer NÃO


Liberdade, total domínio do que vou fazer. Hoje só faço aquilo que quero fazer. Tranquilamente digo NÃO sem me preocupar com as consequências, porque sou dono da minha vida. 

Muita gente tem dificuldade em dizer NÃO, parece um martírio. Reconheço que na vida corporativa é necessário transigir para sobreviver na carreira, conseguir espaço no mercado, fazer a empresa em que trabalha crescer e ser mais bem-sucedida. Sem esquecer os sapos que engolimos o tempo inteiro e o medo de perder o emprego se contestarmos alguma decisão.

Um alto executivo que conheço evita, por exemplo, dar qualquer tipo de opinião contrária. Raramente se posiciona ou quando é preciso, reluta até o último instante. Mesmo que isso custe noites sem dormir por causa de dores no estômago ocasionadas pelo estresse. Prefere uma postura "em cima do muro" a se indispor com alguém.

Assim como ele, muitas pessoas preferem o caminho da omissão. Agora, será mesmo o melhor caminho? Quem sempre diz "Amém" também corre risco. A omissão gera inúmeras implicações. Ninguém garante que baixar a cabeça e só falar SIM vai perpetuar sua sobrevivência anos após anos na mesma organização.

Se você engrossa a fila daqueles que relutam a dizer NÃO, aí vai uma dica, comece dando os primeiros passos em sua vida pessoal. Procure falar aquilo que te desagrada e daí por diante. Essa é uma forma de começar a identificar seus interesses e o que você consegue abrir mão. O conhecido autor William Ury, em seu livro O Poder do Não Positivo (Editora Campus), defende a teoria de que cada pessoa precisa se perguntar sempre por quê.

Dizer NÃO é uma importante arma para impor limites, marcar território, defender posições. Por isso, avalie bem o momento de ceder e de NÃO ceder. Fazer o jogo também implica em dizer NÃO. O segredo é descobrir quando abrir mão de algo ou NÃO. A escolha é sua. 




Julio Sergio Cardozo é conferencista, consultor de empresas e professor de controladoria & finanças. 

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Os anos rebeldes.





Se houvesse uma máquina do tempo e retornássemos no fim dos anos 60, num bairro de classe média paulistana, provalvemente chegaríamos num bailinho onde estaria tocando "La Mer" com Ray Connif e os casais  dançando abraçadinhos e de rostos colados.Ela usando o perfume "Toque de Amor " da Avon e ele o "Lancaster".
Quando acabasse a música, cada qual voltaria para sua rodinha de amigos, eles ,os rapazes,tentando "filar" um cigarro Minister ou Continental., provavelmente com um copo de Cuba Libre na mão, e elas, vestindo  calças Saint Tropez, vestido tubinho, minissaia ou outras roupas influenciadas pela Jovem Guarda .  Outros  já aderiam à despojada moda Hippie que se espalhava  no mundo.
O lema Paz e Amor já se instalavam na sociedade, algumas garotas mais ousadas ou mais liberadas pelos pais, já fumavam e tomavam pílula. Estavam deixando para trás o estilo dos anos 50 , da jaqueta de couro , do Rock and Roll,do topete  Estilo James Dean,  para entrar numa era de músicas românticas e lentas.
Os bailinhos eram embalados por Beatles  com a And I love a Her, as italianas românticas de Sergio Endrigo, Nico Fidenco , Pepino di Capri.As músicas do Roberto Carlos e da Jovem Guarda. Frank Sinatra, Johny Mathis,Procol Harum: "A Whiter Shade of Pale",Ray Charles: "Georgia on My Mind",Simon &; Garfunkel: "The Sound of Silence" , The Mamas & the Papas: "California Dreamin'",Del Shannon: "Runaway",Runaway"  Louis Armstrong: "What a Wonderful World".
Tinham os momentos de explosão de rock com Elvis, de twist com Chubby Cheker e o seu "Let's twist again", as populares como La Bamba e as musicas dos Incriveis.
Todos em discos eram vinil de 33, 45 ou 78 rotações. Aquela vitrola Hi-Fi ou a portátil que tinha um amigo que sempre emprestava.Em alguns bailinhos mais produzidos a iluminação era estromboscópica.
Os pais das garotas sempre de olho, não deixavam elas saírem se os os amigos delas não eram conhecidos, isto, na  maioria das garotas da classe média paulistana. Tinha também as garotas avançadas, cujos pais não as proibiam de sair e de esticar o horário até depois das 22hs, que geralmente era o horário limite meu e de minhas amigas. Estava começando a luta feminina pela igualdade de direitos.Se falava em Beth Friedman e se queimavam sutiãs.
Os rapazes tinham mais liberdade,  na época  quase não existiam  drogas nem  assaltos. Alguns até freqüentavam boates e "similares".
Com tanta tecnologia que existe hoje em dia, seria quase impossível para um jovem imaginar o que era juventude nos finais dos anos 60 do século XX.
A juventude recém saída dos anos dourados, após a criação de Brasilia, o fim do voto direto e a instituição de um governo militar, não tinha aparelhagens eletrônicas para se entreter.Eram chamados "Anos Rebeldes" por causa da luta pela democracia . Nem se sonhava com Internet, DVD, CD, MP3 e 4, muito menos com barzinhos nas calçadas  e baladas pela madrugada afora.
Conheci meu marido num desses bailinhos em 1969. Era um do tipo “Baile do Esquisito”, que cada um ia vestido de maneira engraçada e  brotava muita criatividade.
Eu estava vestida com modelito anos 30 emprestado pela minha vizinha. Inventavam as roupas mais loucas e esquisitas possíveis. Quem não tinha preparado a roupa para a ocasião era obrigado a entrar com a roupa no lado de avesso. Coisas de jovens.

Nos bailinhos "americanos" eram os meninos que  levavam grapette, crush, rum e coca para depois fazer cuba-libre, enquanto as meninas  levavam sanduíches e salgados. Depois de por na vitrola os discos; era só "love", só romantismo e rock’n’roll.

Não sei como são os bailes de agora, porque não os frequento, com certeza sei que não existe  todo aquele romance  e ternura existentes nos bailes dos  anos rebeldes. 

É.....

O sonho acabou



Wanda Wenceslau

P.S.Escrevi o texto sugerido pelo   meu amigo Akio, espero que tenham gostado.

sábado, 8 de maio de 2010

Dia das Mães





Vamos esclarecer alguns pontos sobre mães,ok?
Desconstruir alguns mitos.
Não, não precisa se preocupar!!!!.
Não é nada ofensivo, eu também sou mãe...e avó!
Vamos lá:

MÃE É MÃE: mentira !!!
Mãe foi mãe, mas já faz um tempão!
Agora mãe é um monte de coisas:
é atleta, atriz, é superstar.
Mãe agora é pediatra, psicóloga, motorista.
Também é cozinheira e lavadeira.
Pode ser política, até ditadora, não tem outro jeito.
Mãe às vezes também é pai.
Sustenta a casa, toma conta de tudo, está jogando um bolão.
Mãe pode ser irmã: empresta roupa, vai a shows de rocke pra desespero de algumas filhas, entra na briga por um namorado.

Mãe é avó !!!(oba, esse é o meu departamento!):
moderníssima, antenadíssima, não fica mais em cadeira de balanço,
se quiser também namora, trabalha, adora dançar.
Mãe pode ser destaque de escola de samba, guarda de trânsito, campeã de aeróbica, mergulhadora.
Só não é santa, a não ser que você acredite em milagres.
Mãe já foi mãe, agora é mãe também.

MÃE É UMA SÓ: mentira !!!
Sabe por quê?
Claro que sabe!
Toda criança tem uma avó que participa, dá colo, está lá quando é preciso.
De certa forma, tem duas mães.
Tem aquela moça, a babá, que mima, brinca, cuida.
Uma mãe de reserva, que fica no banco, mas tem seus dias de titular.
E outras mulheres que prestam uma ajuda valiosa.
Uma médica que salva uma vida, uma fisioterapeuta que corrige uma deficiência, uma advogada que liberta um inocente, todas são um pouco mães.
Até a maga do feminismo, Camille Paglia, que só conheceu instinto maternal por fotografia, admitiu uma vez que lecionar não deixa de ser uma forma de exercer a maternidade.
O certo então, seria dizer: mãe, todos têm pelo menos uma.

Ser mãe é padecer no paraíso: mentira!
Que paraíso, cara-pálida?!!!!
Paraíso é o Taiti! paraíso é a Grécia! é Bora-Bora! onde crianças não entram.
Cara,estamos falando da vida real, que é ótima muitas vezes, e aborrecida outras tantas, vamos combinar.
Quanto a padecer, é bobagem.
Tem coisas muito piores do que acordar de madrugada no inverno pra amamentar o bebê, trocar a fralda e fazer arrotar.
Por exemplo?
Ficar de madrugada esperando o filho ou filha adolescente voltar da festa na casa de um amigo que você nunca ouviu falar, num sítio que você não tem a mínima idéia de onde fica.???
Aí a barra é pesada, pode crer!!!!...

Maternidade é a missão de toda mulher: mentira !!!
Maternidade não é serviço militar obrigatório, caraca!
Deus nos deu um útero mas o diabo nos deu poder de escolha.
Como já disse o Vinicius: filhos, melhor não tê-los, mas se não tê-los,como sabê-los?
Vinicius era homem e tinha as mesmas dúvidas.
Não tê-los não é o problema, o problema é descartar essa experiência.
Como eu preferi não deixar nada pendente pra a próxima encarnação, vivi e estou vivendo tudo o que eu acho que vale a pena nesta vida mesmo, que é
pequena mas tem bastante espaço!!!!.
Mas acredito piamente que uma mulher pode perfeitamente ser feliz sem filhos, assim como uma mãe padrão, dessas que têm umas seis crianças na barra da saia, pode ser feliz sem nunca ter conhecido Paris, sem nunca ter mergulhado no Caribe, sem nunca ter lido um poema de Fernando Pessoa.
É difícil, mas acontece!!!!!.

Mamãe, eu quero!!!!: verdade!
Você pode não querer ser uma, mas não conheço ninguém
que não queira a sua.

Martha Medeiros

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O caminho para Wigan Pier- George Orwell




A cena ficou conhecida por meio do YouTube: George W. Bush cumprimenta um haitiano e, disfarçadamente, limpa a mão na camisa do colega Bill Clinton. No livro “O Caminho para Wigan Pier”, que acaba de ser lançado, George Orwell fala da barreira intransponível que é a repugnância física. Refere-se, justamente, à barreira entre ricos e pobres, brancos e negros. A vergonhosa atitude do ex-presidente americano parece corroborar a tese.
Orwell, mais conhecido pelas distopias de “1984” e “Revolução dos Bichos”, descreve nesse livro, genial precursor do novo jornalismo, a vida infernal dos mineiros da região norte da Inglaterra. Mas vai além, ao analisar com franqueza, expondo os próprios preconceitos, as diferenças culturais, sociais e econômicas das classes. Numa segunda parte, faz também uma crítica aos socialistas típicos da época, especialmente àqueles que se baseavam apenas nas teorias, mas também lança um apelo para que o verdadeiro socialismo, de “liberdade e justiça”, seja instalado.

Redenção
Escritor engajado e bastante atual, Orwell agia em parte por um impulso de redenção. Sua repugnância maior  era com a própria classe, que descreve algo ironicamente como “a parte baixa da classe média alta”. Sentia-se culpado por ter nascido entre os privilegiados e opressores. A experiência que teve na Índia como policial do Império Britânico, em que presenciou corrupção, espancamentos e execuções, moldou sua consciência a tal ponto que fez com que abandonasse, ao menos temporariamente, não apenas o emprego bem remunerado, mas também sua confortável situação de ex-estudante de Eton, uma das escolas mais elitistas da Inglaterra.
Deixou tudo o que tinha na casa dos pais e partiu para as sarjetas, vivendo entre mendigos no final dos anos 20. A aventura é contada no excelente “Na Pior em Paris e Londres” (Companhia das Letras, tradução de Pedro Maia Soares). Foi a partir daí que decidiu investigar a incrível vida dos trabalhadores do carvão. Com seu imenso poder narrativo, descreve em detalhe as condições subhumanas da lide no interior das montanhas, algo muito próximo da imagem mental que fazemos do inferno. Há coisas que parecem mesmo de um outro mundo, que deixam o leitor incrédulo, de olhos arregalados.
A começar do caminho até o lugar onde é extraído o carvão. São em média cinco quilômetros no escuro, dentro de um túnel de apenas um metro e vinte de altura, precariamente sustentado por pequenas vigas de madeira, sujeito a desabamentos. O ar é quase irrespirável, adensado por partículas de carvão. O trajeto é feito com os joelhos e costas dobrados, uma posição que nenhum atleta, por mais forte que fosse, suportaria. Os mineiros, quase todos baixos, magros e musculosos, parecem feitos de uma fibra especial. Impressionado, Orwell descreve seus corpos “esplêndidos”, exercendo por sete horas seguidas o manejo de pás e picaretas num cenário enterrado no esquecimento do mundo, a quatrocentos metros da superfície.
Wanda Wenceslau

sábado, 1 de maio de 2010

Aniversário




Gente, este mês comemorei meu aniversário três vezes, por isso tenho sumido um pouco das leituras dos blogs.
Meu aniversário mesmo é no dia 24 de abril.

Fiz uma reunião com amigas no dia 22





Fiz uma reunião com a família, dia 24



Fiz uma reunião com amigas que queriam participar antes mas não puderam




Resultado : fiquei três vezes mais velha.
Gosto de gente, por isso talvez, gente goste de mim.
Cada pessoa tem características únicas , que me encantam, mesmo quando me desencantam.
Noto as atitudes das pessoas, sejam positivas ou negativas e vou ficando maravilhada com as diversas reações em relação a um mesmo assunto, as opiniões divergem , se acrescentam , formam novas idéias, as amizades se fortalecem ou se enfraquecem a cada atitude.
Nada pode ser tão gratificante como o reunir pessoas. Entram nas discussões, a política , a religião, os livros, o cinema, o teatro, os esportes, a culinária e um sem números de assuntos.
É como ler vários livros ao mesmo tempo, de vários autores e fazer as criticas depois. Isso eu gostei e pego pra mim, pra minha experiência de vida. Isto eu não gostei, mas também foi uma aula, sei que existe, e assim vai.
Ao contrário do que muita gente diz quando está decepcionada, "quanto mais conheço o ser humano mais adoro meu cão", quanto mais conheço o ser humano mais enriqueço minha existência . Todos não são perfeitos, mas eu também não sou. Todos são perfeitos para si, para o que pensa para sua vida, para o modo como acha que deve ser vivida.
Agradeço profundamente a vocês, meus amigos, estarem existindo em minha história e estar completando-a, compartilhando comigo suas idéias, suas experiências e sua amizade..


Beijos

Wanda Wenceslau

sexta-feira, 23 de abril de 2010

AMOR



Ontem , 22 de abril, o Brasil completou  510 anos . Parabéns!
Já está ficando velho, era hora de parar de se comportar como o coitadinho do terceiro mundo.
Esses politicos gananciosos serem banidos pelo povo e esse povo ter mais amor a sua terra.
Melhor nem começar a escrever.Seria repetir o que todos já sabem. Basta olhar as nossas diferenças sociais.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Xingu- Belo Monte- Mais um crime ambiental



O Xingu é um rio peculiar e único. Não dá para compará-lo com qualquer outro rio da Amazônia. Só ele faz aliança com o majestoso Amazonas através de um largo delta. Na foz, suas lindas águas verdes-esmeralda se mesclam com as águas barrentas do rio-mar no qual se perde finalmente acima do Forte de Santo Antônio de Gurupá. Percorreu 2045 km desde Mato Grosso onde nasce a 600 metros acima do nível do mar na junção da Serra do Roncador com a Serra Formosa.
O Xingu é misterioso. Seu nome até hoje não tem explicação etimológica. Alguns estudiosos querem traduzi-lo como “casa dos deuses” ou melhor “Casa de Deus”, mas não se tem certeza qual seria a verdadeira raiz subjacente a este nome. Suas águas ora são calmas e pacíficas formando extensos lagos, ora furiosas e indômitas quando se estreitam em perigosas cachoeiras que já ceifaram muitas vidas de viajantes desavisados ou afoitos que teimaram em enfrentá-las. Pode ser que não seja a Casa de Deus, mas que é um rio sagrado para os povos que habitam nas suas margens há milhares de anos, quem teria a ousadia de negar!
No dia 3 de junho de 2007, os participantes do encontro foram para a beira do rio, em Altamira, para uma manifestação contra o projeto de hidrelétrica ressuscitado que recebeu o nome “Belo Monte” em substituição à denominação anterior “Kararaô” que equivale a um grito de guerra do povo kayapó. Mudou apenas o nome! O atual Governo o considera prioridade no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). O presidente Lula antes de ser eleito manifestou-se contra Belo Monte.
A pergunta chave é: A quem mesmo interessa Belo Monte? Ao Brasil? Vai melhorar o padrão de vida dos paraenses, dos xinguaras, do povo de Altamira, Vitória do Xingu, Souzel, Anapu, da Transamazônica, do Baixo Xingu? A energia, a quem será destinada? Todos sabemos que serão mais uma vez beneficiadas as multinacionais que vivem às custas do Brasil com todas as mordomias fiscais e facilidades energéticas. O preço da energia para a família brasileira é escandaloso, é exorbitante, mas as empresas transnacionais contam com a benevolência magnânima dos sucessivos Governos. O Pará, a Amazônia é considerada mera “província” energética, mineral, madeireira, última fronteira agrícola... Nunca saiu dessa categoria de “província”! A metrópole, o centro nevrálgico das decisões e deliberações, sempre se encontra alhures! Pouco interessa à metrópole se os povos da “província” passam bem ou vão de mal a pior. Algumas migalhas sempre caem, mais por descuido do que por amor aos pobres. E os nossos políticos, em vez de questionar esse sistema iníquo, de criticar estruturas prejudiciais aos povos da Amazônia, de exigir direitos e ”royalties”, aplaudem de pé e não hesitam em apelar até para a terminologia teológica quando falam em “salvação”, “redenção” da região, do Pará e da Amazônia. Infelizmente nada entendem da máxima do grande Santo Tomás de Aquino: “Gratia supponit naturam” (a graça pressupõe a natureza). No contexto da Amazônia: Jamais haverá redenção se a criação for arrasada, destruída, aniquilada! Aí só vai sobrar a desgraça, o caos, o apocalipse!


A Bol noticias comenta:
"A dúvida financeira sobre Belo Monte, que será construída no rio Xingu, no Pará, cujo porte só é superado por Três Gargantas, na China, e Itaipu, de Brasil e Paraguai, é sobre o custo. O governo estima o preço em quase R$ 20 bilhões, mas as empreiteiras acreditam que gastarão até R$ 30 bilhões. Nas estimativas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), apenas o trem-bala Rio-São Paulo, estimado em R$ 25 bilhões, prevê investimento tão pesado.
Além das dificuldades na construção, as companhias preveem aproveitamento de energia apenas razoável, uma vez que a capacidade instalada de cerca de 11 mil megawatts produzirá pouco mais de 4,4 mil megawatts, ou perto de 40% do possível. Em outras hidrelétricas, esse número ultrapassa os 50%, embora a capacidade instalada seja menor.
O empreendimento tem entrada de operação prevista para 2015 (1ª fase) e 2019 (2ª fase).
As dúvidas sobre o custo real da empreitada e a ameaça de impacto ambiental superior ao previsto trazem o risco de a iniciativa ser barrada na Justiça e não sair do papel.

Críticos argumentam que o impacto ambiental e social da instalação de Belo Monte foi subestimado. Eles dizem que os estudos feitos não são respondem à pergunta: o que acontecerá com fauna, flora e população ribeirinha da região? O governo alega que o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) deu licença prévia e a obra deve começar. "



Vamos destruindo....destruindo....destruindo.....até não sobrar nada!




Wanda Wenceslau


Atualização no blog .... http://arnaldofenix.blogspot.com

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Alecrim





O alecrim - Rosmarinos officinalis, planta nativa da região mediterrânea - foi muito apreciado na Idade Média e no Renascimento, aparecendo em várias fórmulas, inclusive a 'Água da Rainha da Hungria', famosa solução rejuvenescedora.

Elizabeth da Hungria recebeu, aos 72 anos, a receita de um anjo (um monge?) quando estava paralítica e sofria de gota. Com o uso do preparado, recobrou a saúde, a beleza e a alegria. O rei da Polônia chegou a pedi-la em casamento!Madame de Sévigné recomendava água de alecrim contra a tristeza, para recuperar a alegria.
Rudolf Steiner afirmava que o alecrim é, acima de tudo, uma planta calorífera que fortalece o centro vital e age em todo o organismo.
Além disso, equilibra a temperatura do sangue e, através dele, de todo o corpo. Por isso é recomendado contra anemia, menstruação insuficiente e problemas de irrigação sangüínea

Também atua no fígado. E uma melhor irrigação dos órgãos estimula o metabolismo.

Um ex-viciado em drogas revelou que tivera uma visão de Jesus que o tornou capaz de livrar-se do vício. Jesus lhe sugeria que tomasse chá de alecrim parar regenerar e limpar as células do corpo, pois o alecrim continha todas as cores do arco-íris.

O alecrim é digestivo e sudorífero.
Ajuda a assimilação do açúcar (no diabetes) e é indicado para recompor o sistema nervoso após uma longa atividade intelectual.

É recomendado para a queda de cabelo, caspa, cuidados com a pele, lesões e queimaduras; para curar resfriados e bronquites, para cansaço mental e estafa; ainda para perda de memória, aumentando a capacidade de aprendizado.

Existe uma graciosa lenda a respeito do alecrim:

Quando Maria fugiu para o Egito, levando no colo o menino Jesus, as flores do caminho iam se abrindo à medida que a sagrada família passava por elas. O lilás ergueu seus galhos orgulhosos e emplumados, o lírio abriu seu cálice. O alecrim, sem pétalas nem beleza, entristeceu lamentando não poder agradar o menino.

Cansada, Maria parou à beira do Rio e, enquanto a criança dormia, lavou suas roupinhas. Em seguida, olhou a seu redor, procurando um lugar para estendê-las.

'O lírio quebrará sob o peso, e o lilás é alto demais. Colocou-as então sobre o alecrim’ e ele suspirou de alegria, agradeceu de coração a nova oportunidade e as sustentou ao sol durante toda a manhã.

‘Obrigada, gentil alecrim!’ - disse Maria. Daqui por diante, ostentarás flores azuis para recordarem o manto azul que estou usando. E não apenas flores te dou em agradecimento,mas todos os galhos que sustentaram as roupas do pequeno Jesus, serão aromáticos.‘Eu abençôo folha, caule e flor, que a partir deste instante terão aroma de santidade e emanarão alegria.'

É só uma lenda.......Mas chá de alecrim é o meu preferido e só uso sabonete de alecrim no meu banho. ...adoro!


Wanda Wenceslau

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Morro do Bumba e a depressão




Abrir os olhos e olhar o mundo nos leva à depressão. Saber que dezenas de pessoas viviam sobre um aterro sanitário. Lá construíram seus barracos ou suas humildes casa de tijolos sem reboco , lá viviam indo e vindo, rindo e chorando, amando e sofrendo, mas viviam. Tinham a miserável vida dos pobres de um país do terceiro mundo. Tinham sonhos, mudar dali para um bairro de classe média, para um apartamento num bairro melhor.
Agora estão ali, debaixo dos escombros, mortos! Acabou-se a ilusão , o sonho e a vida. Famílias inteiras que talvez o maior sonho fosse alugar uma linha de tv à cabo ou  comprar um carro usado.Famílias destruídas pelo ganância de homens públicos e pelo descaso de políticos corruptos. Quem vendeu o terreno? Quem deixou construir? Quem levou água encanada e luz elétrica até as casas? São todos culpados! Nós somos culpados ! Porque não cobramos nada das autoridades.Mandamos ajuda, alimentos para os sobreviventes, mas quem vai procurar os responsáveis? Ninguém!
O prefeito diz que a culpa é da chuva! Sim, a chuva veio para lavar a sujeira que começa lá em cima no senado,passa pela câmara e escorre pelo judiciário, naquela lamaceira podre onde homens que lá são colocados para cuidar do povo, só sabem roubar e desviar verbas. Só pensam em enriquecer a si, deixando pessoas morando em habitações que não servem nem para animais.Enquanto isso,  políticos mandam construir castelos , mansões, ilhas, condomínios de luxo.O que lhes dá o direito de pensarem que são melhores que qualquer morador de favela? O que?
A janela está aberta, vamos colocar uma cortina nela para que ninguém nos veja do lado de cá e para não enxergarmos o que não queremos ver. É depressivo!

Wanda Wenceslau

domingo, 11 de abril de 2010

Porque é domimgo......







Sou como você me vê...posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,depende de quando e como você me vê passar...suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras, sou irritável e firo facilmente. Também sou muito calma e perdôo logo.
Não esqueço nunca. Mas há poucas coisas de que eu me lembre...Tenho felicidade o bastante para ser doce,dificuldades para ser forte,tristeza para ser humana e esperança suficiente para ser feliz. Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre...Sou uma filha da natureza:quero pegar, sentir, tocar, ser.E tudo isso já faz parte de um todo, de um mistério.Sou uma só... Sou um ser...a única verdade é que vivo.Sinceramente, eu vivo.
Clarice Lispector