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sábado, 19 de junho de 2010

Saramago

Nada a dizer sobre Saramago, ele fala de si!

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM679826-7823-JOSE+SARAMAGO+SEGUNDA+PARTE,00.html

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Futebol









Muita gente anda reclamando que o técnico da Seleção Brasileira de Futebol , Carlos Caetano Bledorn Verri, mais conhecido como Dunga,dizendo que ele  só convocou jogadores que jogam fora do Brasil para formar a Seleção Brasileira  que joga este ano na Copa do Mundo de Futebol.
Qual é o espanto? Se os bons jogadores estão mesmo jogando fora do Brasil? Aqui o menino mal aparece em algumas partidas do sub-17 já  está contratado por algum time europeu, japonês, árabe, etc...
Qual é o espanto que na nossa seleção só tem jogadores que atuam em times estrangeiros? Com a pobreza e as diferenças sociais é o único jeito de alguns meninos terem sucesso na vida. Os que não dão certo, vão amargar um serviço braçal ou pior, enveredar pelo caminho do crime e das drogas.
Aquele futebol arte onde não se levava em conta o dinheiro e só se jogava por talento ou prazer, já não existe mais. Desde Pelé, desde que ele ficou rico e conhecido com o futebol , a garotada só pensa em se dar bem jogando bola. É o caminho mais fácil e mais rendoso.
Desde então o negócio futebolístico cresceu e se diversificou, mas o futebol brasileiro encolheu a olhos vistos. Os campos de várzea já não existem. Viraram condomínios, repartições públicas, avenidas, praças, etc... Os clubes têm o mesmo nome, invocam sua tradição, mas só tem jogadores medianos e em fim de carreira. Quando desponta algum garoto com jeito de craque não demora nada  para acabar deliciando a platéia européia.
No tempo dos gladiadores, a Gália, a Espanha e a Trácia, forneciam os gladiadores mais hábeis para digladiarem no Coliseu para o exigente público romano.Parece que as coisas não mudaram tanto assim. Nossos meninos também são mandados aos campos  do exterior para encherem os olhos dos admiradores do futebol.
Se este fosse um pais mais justo onde todos tivessem mesmo direito a saúde, educação e lazer, como reza a constituição, não seria necessário sair do país para ter sucesso e dinheiro
As pessoas dizem que a seleção e a Copa do Mundo  já não têm mais graça; De fato. Antes, mesmo sendo uma seleção brasileira, os torcedores brasileiros discutiam entre si, dizendo que o melhor goleiro da seleção pertencia ao seu time. Outro dizia que o melhor zagueiro convocado era do seu. Assim inflamavam-se  torcidas à parte  querendo que o jogador do seu time aparecesse mais na Copa.Agora temos uma seleção de jogadores que jogam no estrangeiro.
Eu tenho certeza que mesmo vivendo fora do Brasil, quando eles entram em campo e ouvem o Hino Nacional Brasileiro,sabem, sentem, que precisam vencer essa luta.
Ouvi a Gisele Bündchen no programa do Faustão, domingo passado, dizer ao povo brasileiro que ame esta Terra, que a valorizem-- e que se valorizem, porque não existe no mundo lugar melhor que este. Falou da natureza,da biodiversidade, da alegria, da liberdade. Emocionou-se, chorou. Talvez ela também seja a vitima da falta de perspectiva de poder viver na terra onde nasceu.Bonita, talentosa, cheia de oportunidades lá fora. É ...não se pode ter tudo, mas o amor pela terra natal sempre fala alto. Por isso não importa se os jogadores são  do Milan ou do Real Madrid, importa sim é que estão vestindo a camisa da seleção. 
Pra frente Brasil.
Repararam no Blog verde amarelo????

Wanda Wenceslau

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Sonhos diversos.







O médico do interior já tinha perdido a esperança de curá-la, e sugeriu que ela viesse à capital se tratar. Quem sabe? Era uma dessas doenças insidiosas e gravíssimas, cujo nome éramos até proibidos de pronunciar. Aquelas doenças malditas, que corroem a pessoa por dentro, debilitando-a e causando uma fraqueza sem trégua. Era quase a morte, conforme parecia.
A família se cotizou, juntaram algum dinheiro e a menina, escorada na mãe, encetou a viagem até a cidade de São Paulo.
Aqui chegando, foram pedir abrigo na nossa casa, num bairrinho da periferia. O tratamento ia ser longo.
 
Naquele tempo, a hospitalidade era regra, e não exceção. Todo mundo se unia diante das adversidades: doença, morte, funeral, eram acontecimentos familiares, que ocasionavam adaptações na vida doméstica. Ninguém ficava em hotel, ninguém morria em hospital, tendo família. Era um colchão a mais que aparecia, eram cobertores tirados da arca, pratos que se somavam à louça da casa, tudo em silêncio.

A janta foi uma festa: fazia tanto tempo que a gente não se via, tinha tanta coisa para contar, tanta coisa para perguntar sobre os que ficaram na roça. Quem casou, quem teve filho, quem morreu. Eu brincava com a minha prima, feliz da vida.
A conversa se estendeu até perto das onze horas, quando
alguém lembrou que a menina devia estar cansada, coitadinha, porque já era tarde, onde já se viu. Na segunda-feira bem cedo ela ia começar o tratamento. Melhor apagar a luz, melhor dormir.

- Dorme com Deus pai, dorme com Deus mãe. Dorme com Deus tia, dorme com Deus, prima. Amém, amém, amém, dorme com Deus você também...


Elas se instalaram numa cama de solteiro, ao lado da minha, deitando uma para os pés e a outra para a cabeceira. Cadê dormir, entretanto? Na semi-obscuridade do quarto, eu fiquei olhando para a minha prima e escutando a sua respiraçãozinha difícil. Com os olhinhos arregalados, ela observava tudo ao redor, em silêncio: a casa estranha, os desenhos no teto, a Nossa Senhora na folhinha pendurada na parede. Tinha medo.
Então eu lhe estendi o meu gatinho de pelúcia, o Tango. Velho, amarfanhado, a pelagem marrom já raleando aqui e ali, um olho faltando, Tango era o meu refúgio, especialmente nas noites como aquela, em que o sono não vinha. E que as sombras das árvores dançavam lá fora, desenhando fantasmas no vitrô. Toma, eu falei, entregando-lhe o gatinho estropiado. Pode segurar o Tango, se você quiser. E a menina sorriu no escuro, aquele sorrisinho tímido e bonito, de cortar o coração.
Dormimos: eu sonhei os sonhos normais de gente sadia, mas ela deve ter sonhado com a cura, porque o longo tratamento finalmente a curou.



Wanda Wenceslau